Lula acusa PSDB de tentar vencer no ''tapetão''

Do exterior, presidente diz que oposição quer afastamento de Sarney para assumir o Senado

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

02 de julho de 2009 | 00h00

Valendo-se de uma metáfora do futebol, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem, em Sirte, na Líbia, o pedido de afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AM), feito pelas direções do PSDB, do DEM e do PDT e apoiada ontem pelo PT. Demonstrando impaciência sobre o tema, Lula afirmou que a saída de Sarney não traria benefícios às instituições e atacou a oposição, afirmando que o PSDB quer ganhar o Senado "no tapetão".O ataque à bancada de oposição foi feito logo após sua participação na cerimônia de abertura da Cúpula da União Africana. Pouco antes de embarcar para Brasília, Lula falou a jornalistas brasileiros e se mostrou irritado sobre a possibilidade de Sarney deixar o cargo. "O DEM e o PSDB querem que o Sarney se afaste para o Marconi Perillo (senador pelo PSDB-GO e primeiro vice-presidente da Casa) assumir, o que não é nenhuma vantagem para ninguém", disparou. "A única vantagem é para o Marconi Perillo e para o PSDB, que querem ganhar o Senado no tapetão. Assim não é possível. Isso não faz parte do jogo democrático."Lula seguiu nas críticas, lembrando que nenhum dos partidos lançou candidato na eleição em que Sarney saiu vitorioso. "Se o PSDB queria o Senado, deveria ter indicado um candidato e disputado, não é? Se o PFL (DEM) quisesse, não deveria ter apoiado o Sarney." Questionado sobre sua posição a respeito do eventual afastamento, o presidente não quis se pronunciar. "Este é um problema do Senado. O Executivo não dá palpite sobre isso", afirmou, argumentando que os senadores são autônomos em suas decisões. "Os senadores têm todos mais de 35 anos. Tomem a decisão que tiverem de tomar."Seu único desejo foi pedir ao Congresso que não pare durante a crise. "Tem coisas importantes para serem votadas na Câmara e no Senado. O importante para o governo é que se vote o que tiver de votar, que se apure o que tiver de apurar, e vamos fazer o barco voltar a funcionar, porque o Brasil não pode ficar esperando." Na terça-feira, em Trípoli, capital da Líbia, Lula havia elogiado a forma como Sarney vinha conduzindo o momento de instabilidade pelo qual passa o Senado. "Ontem (segunda-feira) eu recebi um informe de que o presidente Sarney pediu para a Polícia Federal investigar o emprego do seu neto. É assim que deve ser feito", afirmou. A comitiva presidencial, integrada também pelos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da Comunicação Social, Franklin Martins, além do assessor especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, deixou a Líbia na tarde de ontem em direção a Brasília.

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