Lula acusa Garotinho de governar com demagogia

Sem mencionar explicitamente o nome do pré-candidato do PSB à Presidência - o governador do Rio, Anthony Garotinho -, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, acusou-o de "governar com demagogia" e de sentar sobre "o próprio ego" para atacar os petistas. Segundo Lula, também pré-candidato a presidente, "tem gente que fala do PT porque nasceu para falar", mas "não tem condição" para analisar as propostas da legenda - outra crítica velada ao socialista, um ex-aliado que tem atacado duramente a agremiação, que chegou a chamar de corrupta. Garotinho dissera que o programa econômico do partido é "liberal" e que, se não soubesse que fora feito pelo PT, acharia que seus autores eram o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga."Tem gente que, para crescer politicamente, anda pelo Brasil e tenta construir alternativas", disse Lula. "Tem outro tipo de gente que prefere sentar em cima do próprio ego e ficar julgando todo mundo. Eu prefiro a primeira hipótese. Acho que o Brasil está precisando de propostas alternativas, e estamos tentando dar a nossa contribuição. Coloque-as em prática quem quiser. Quem não quiser que fique governando com demagogia que vai ver que vai acontecer."Lula afirmou também que não acha que o momento para tentar alianças com outros partidos tenha passado. "Tem um instante na política em que cada um fala o que quer; às vezes quem fala o que quer ouve o que não quer", alfinetou. O petista previu que até outubro, quando se encerra o prazo para troca de legendas visando às eleições de 2002, muita coisa vai mudar no quadro partidário, e lembrou que nada está definido com relação a candidaturas a presidente. "Eu estou convencido de que muita água vai passar embaixo da ponte", declarou.O presidente de honra do PT classificou de "uma pedrada jogada na cabeça do povo brasileiro" o anúncio, feito ontem pelo Banco Central, de que gastará, até fim de 2001, US$ 6 bilhões para tentar estabilizar o mercado do dólar, cujas cotações têm atingido sucessivos recordes, ameaçando a economia brasileira. "Um governo que resolve destinar US$ 1 bilhão por mês para poder garantir o não-aumento do dólar deveria vir a público e reconhecer que nossa economia está debilitada", atacou. "O Brasil é o único país do planeta Terra, além da própria Argentina, que treme com as crises argentinas. Nem o Paraguai treme. O Brasil treme porque subordinou os seus destinos à captação de recursos externos." O petista disse que a economia do País, em vez de ser voltada para o mercado interno, está "muito subordinada" às orientações do Fundo Monetário Internacional (FMI).Lula falou ao fim de um rápido comício em Altinópolis, mais uma parada da sua Caravana da Cidadania iniciada na última terça-feira. Em clima de campanha eleitoral, a comitiva do PT está percorrendo cidades próximas ao lago de Furnas para denunciar a crise de energia e as conseqüências econômicas para a região, da baixa do nível de água do reservatórios. Ele começou o dia na cidade de Formiga, onde deu entrevista na Câmara dos Vereadores e percorreu o centro até a Praça Getúlio Vargas, na qual fez um discurso para cerca de 300 pessoas."A corrupção é tanta neste País que o Nicolau Lalau (juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, acusado de desviar R$169 milhões da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo) já está virando trombadinha", ironizou Lula, que voltou a acusar o governo de ser o culpado pela crise energética. "São Pedro é inocente, o culpado é o governo, que não soube cuidar da água (das hidrelétricas)?, afirmou.Na Câmara, o petista disse ter saudade, primeiro, do presidente Getúlio Vargas, "que pensava o Brasil para 20 ou 30 anos"; segundo, do presidente Juscelino Kubitschek, "com seus Planos de Metas"; e fez um meio-elogio até ao período militar. "Por mais que discordássemos, os militares lançavam os seus planos decenais", disse ele, acusando o presidente Fernando Henrique Cardoso de deixar o País "com o maior passivo da sua história" e não ter construído nada.

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