Ueslei Marcelino|Reuters
Ueslei Marcelino|Reuters

Lula acompanhou Dilma em sua despedida do Planalto

Nos bastidores, o ex-presidente diz que é remota a chance da petista retornar ao Planalto após o período de seu afastamento, que pode durar até 180 dias

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 22h05

BRASÍLIA - Artífice das duas candidaturas de Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao Palácio do Planalto nesta quinta-feira, 12, para se despedir de sua sucessora perto das 11 horas. Ficou bem perto da rampa e a esperou sair pela porta principal.

Os dois se abraçaram e ela encostou a cabeça no ombro de seu “criador”, sob gritos de “Dilma/Guerreira/da Pátria Brasileira”. Abatido, Lula chorou várias vezes enquanto a presidente afastada discursava, diante da Praça dos Três Poderes, onde os manifestantes se concentravam. “Resistam, Dilma e Lula! Estamos juntos”, dizia uma das faixas.

A toda hora, o ex-presidente limpava o rosto com um lenço branco. O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) o consolavam. Depois de atravessarem a rua para cumprimentar os militantes, Dilma, Lula e o presidente do PT, Rui Falcão, seguiram para o Palácio da Alvorada, onde se reuniram com alguns ex-ministros.

Nos bastidores, o ex-presidente diz que é remota a chance de Dilma retornar ao Planalto após o período de seu afastamento, que pode durar até 180 dias. Na sua avaliação, o presidente em exercício Michel Temer viverá uma fase de “lua-de-mel” com a população e com a mídia e terá crédito para executar medidas duras, além da boa vontade do mundo político.

Interlocutores de Lula afirmam que ele se arrependeu de não ter concorrido à Presidência, em 2014. “Agora não tem mais jeito. Perdemos”, disse-lhe um de seus amigos. O PT quer que o ex-presidente seja candidato em 2018, mas ainda é preciso esperar o fim das investigações da Operação Lava Jato.

Resistência. A estratégia da resistência será definida em reunião do Diretório Nacional do PT, na próxima terça-feira, 17, com a presença de Lula. Além de fazer oposição ferrenha ao governo comandado por Temer, o PT também quer que Dilma comece logo a percorrer o País, começando pelo Nordeste, onde sua popularidade, apesar de baixa, ainda é melhor do que em capitais do Sudeste.

A avaliação dos petistas, porém, é que a narrativa do “golpe” não se sustenta sozinha, por muito tempo, se o partido não conseguir retomar o protagonismo com a defesa de alguma causa popular. A ordem do PT é desconstruir o governo Temer e intensificar as manifestações contra o impeachment.

Barrados. Ainda nesta quinta, o ex-ministro do Gabinete Pessoal da Presidência, Jaques Wagner, não conseguiu ajudar um grupo de mulheres que queria entrar no Planalto para ver Dilma. “O senhor não é mais ministro”, disse-lhe um dos chefes da Segurança do Palácio. O ex-ministro da Aviação Civil, Carlos Gabas, e o funcionário Joabe Paixão - que fazia a segurança do então chefe da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo - também foram barrados e tiveram de se cadastrar na recepção do Planalto. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.