Lula acerta ponteiros com PMDB, mas caciques têm novas reivindicações

Depois de reunião do Conselho Político, senadores fazem jantar na casa de líder para discutir lista de pendências

Christiane Samarco e Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

03 de outubro de 2007 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a reunião do Conselho Político ontem para tentar enquadrar o PMDB do Senado, após a derrota da semana passada, com a rejeição da medida provisória que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo. Mas enquanto Lula advertia os líderes de que o governo é de coalizão, senadores peemedebistas articularam um jantar ontem mesmo para definir mais cobranças.Eles listariam as indicações pendentes de peemedebistas e querem cobrar do Planalto a solidariedade do PT ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Também querem o cumprimento de promessas antigas, como a volta ao governo do ex-ministro das Minas e Energia Silas Rondeau."Os ministros foram nomeados, as responsabilidades estão definidas e não tem nenhuma pendência sobre minha mesa em relação aos partidos", disse Lula na reunião com os líderes e presidentes de partidos que compõem o Conselho Político. Em seguida, sem mencionar a palavra "cargos", dirigiu-se ao líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), e cobrou a participação do partido na rejeição da MP. "Não entendo esta posição do PMDB", reclamou.Segundo líderes presentes, Raupp ficou desconcertado com a reprimenda. Mas reagiu, dizendo que que a rejeição da MP foi resultado da "absoluta falta de diálogo entre o governo e os senadores". Ele negou que ela tenha sido causada por cobranças de cargos e liberação de emendas peemedebistas ao Orçamento. Queixou-se da falta de explicações sobre a criação da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo e até criticou Mangabeira Unger por não conversar com os senadores.Nessa hora, segundo um dos presentes, Lula fez um mea-culpa: admitiu que poderia ter discutido mais a MP e que há necessidade de "mais diálogo" com a base aliada. Preocupado com a votação da CPMF, ele ainda prometeu aos líderes que o governo não editará mais MPs polêmicas ou complexas sem antes apresentá-las ao Conselho Político - como fez ontem com a medida que criará a TV Pública (leia na página A15). "Reparto com vocês o que houve", disse. Raupp aproveitou para destacar que a derrubada da MP foi "uma decisão política".Não foi isso, porém, o que disse um senador do grupo de Renan. Segundo ele, há, sim, insatisfação por conta de cargos e a idéia era listar tudo no jantar na casa de Raupp. "A demanda dos partidos por cargos é permanente. Quando acabar a votação da CPMF, outras demandas surgirão", concordou o líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR), depois da reunião.Além da volta de Rondeau, os senadores apontam pendências no setor elétrico e outras, como a demissão de um afilhado de José Maranhão (PB) de uma diretoria do Banco do Nordeste e a questão da Superintendência da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Pará, reivindicada por Valter Pereira (PA), anfitrião do jantar dos 12 rebeldes que derrubaram a MP.JANTARESOntem à noite, enquanto Lula jantava no Palácio da Alvorada com os líderes dos partidos aliados na Câmara, os senadores peemedebistas faziam o mesmo na casa de Raupp. Lula reuniu os deputados para tentar acertar a votação em segundo turno da emenda que prorroga a CPMF. A líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (MA), embora seja peemedebista, foi ao Alvorada.Seu pai, José Sarney (AP), foi ao jantar dos senadores do partido, assim como Renan e o líder do governo na Casa, Romero Jucá (RR). Segundo Raupp, o objetivo do encontro era afinar o discurso e "reafirmar a unidade do PMDB". Entre os ausentes, os senadores que têm cobrado punição a Renan, como Pedro Simon (RS), Jarbas Vasconcelos (PE) e Gerson Camata (ES). COLABOROU EUGENIA LOPES

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