Lula aceita indicação de Lobão para Minas e Energia

Presidente ficou de oficializar o convite ao senador na quarta-feira, no retorno da viagem que fará a Cuba

Rosa Costa, Agencia Estado

10 de janeiro de 2008 | 22h26

Na conversa de cerca de duas horas que teve hoje com dirigentes do PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitou a indicação do senador Edison Lobão (PMDB-MA) para o cargo de ministro de Minas e Energia (MME). Lula ficou de oficializar o convite a Lobão na quarta-feira, no retorno da viagem que fará a Cuba. "Na terça-feira eu falo com o Fidel e na quarta com o Lobão", disse Lula. O cargo está vago desde maio, quando o titular Silas Rondeau foi afastado por denúncia de suspeita de envolvimento com o escândalo de superfaturamento em obras públicas comandadas pela construtora Gautama, descoberto pela Operação Navalha da Polícia Federal. Tanto Rondeau como Lobão são afilhados políticos do senador José Sarney (PMDB-AP). Homem forte no governo, em nenhum momento Sarney concordou em abrir mão da indicação ao cargo. Ele foi um dos participantes do encontro com Lula, juntamente com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (RN), o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (RR), o líder do partido na Câmara, Henrique Alves (RN), e o vice-líder no Senado, Valter Pereira (MS). Segundo os parlamentares, em nenhum momento Lula fez objeção à escolha de Lobão para o cargo nem comentou o risco de apagão. A reação no Planalto parte sobretudo da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que preferia manter no comando do ministério Nelson Hubner, interino desde a saída de Rondeau, ou pelo menos entregá-lo a um político com conhecimento do setor. "Foi uma conversa boa, o presidente disse que, como tinha prometido, estava ali para oficializar o nome indicado pelo partido", informou o senador Garibaldi Alves. "O presidente confirmou que a vaga é do PMDB e que, portanto, a indicação do partido será acolhida", acrescentou Valter Pereira. Garibaldi disse que, na conversa, foi ainda mencionado uma indicação do partido para a área internacional da Petrobras, ainda não formalizada pelo governo. Mas de acordo com a cúpula do PMDB, o cargo será entregue a Jorge Luiz Zelada. "No mais, o assunto diversificou para outros temas, sobre investimentos", disse. Segundo o senador mato-grossense, Lula festejou os resultados financeiros obtidos no ano passado pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). O ministro de Relações Institucionais, José Múcio, ficou de acertar a ida de Lobão ao Palácio na semana que vem. "Acho que está sacramentado", constatou o vice-líder peemedebista. "Se houvesse algum óbice, é claro que o presidente Lula se manifestaria". Segundo participante do encontro, o presidente disse que pretende resolver todas as "pendências" com os partidos até a volta do Congresso, no início de fevereiro. Edison Lobão inova na política brasileira, ao receber um ministério do porte do MME três meses depois de se filiar ao PMDB, "dono da vaga". O senador é tido como um dos mais fiéis aliados de Sarney. Ele construiu sua carreira política pelo PFL, hoje DEM, e só no dia 10 de outubro último é que passou a compor a bancada peemedebista. Desde então a indicação de seu nome para o cargo de ministro de Minas e Energia é dada como certa.(Colaborou Vera Rosa)

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