Lula abre negociações para nomear novo Ministério até março

Encerradas as eleições na Câmara e no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a conversar na próxima semana com os partidos aliados, para montar até o fim do mês o que ele chama de "Ministério da coalizão", disse uma fonte do Palácio do Planalto. Lula vai dedicar a essas conversas os intervalos entre as viagens para o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Esta semana ele foi ao Nordeste e a São Paulo. Na próxima, irá ao Rio de Janeiro. A nova equipe deve estar nomeada até a reunião de Lula com os governadores, em 6 de março. O presidente quer anunciar o novo ministério de uma só vez, a não ser que tenha de antecipar a substituição de Márcio Thomaz Bastos na Justiça, acrescentou a fonte. Thomaz Bastos está demissionário desde novembro.Nesta sexta-feira, o presidente afirmou a jornalistas que não tem pressa para formar o novo ministério. "Estamos aguardando um chamado do presidente para a próxima semana, para iniciarmos as conversas em torno da coalizão administrativa, quando os partidos passam a colaborar nos ministérios", confirmou o presidente do PMDB, Michel Temer (PSDB-SP), sócio da vitória de Arlindo Chinaglia (PT-SP) na Câmara. Temer vai sugerir que Lula nomeie os novos ministros na sexta-feira, 16 de fevereiro, antes do Carnaval, "para que as reações se decantem no feriado". Mas no Planalto esse prazo é considerado curto. Além de ministros, Lula terá de confirmar ou substituir os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), cargos que também contam para o equilíbrio interno da coalizão. O presidente quer a coalizão funcionando, no Congresso e na Esplanada dos Ministérios, no período em que estiverem sendo votadas as oito medidas provisórias e cinco projetos de lei que compõem o PAC, além da prorrogação da vigência da CPMF e do mecanismo da Desvinculação de Receitas da União (DRU), que vencem em dezembro. Mapa da CâmaraNas avaliações que fez com políticos e auxiliares sobre a disputa na Câmara, Lula ressaltou que PSB, PCdoB e PDT, derrotados por PT, PMDB e outros aliados, vão continuar apoiando o governo, apesar das seqüelas. "Adeus a todas as crises que ocorreram no governo anterior", chegou a dizer a jornalistas o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, na noite da última quinta-feira. O resultado apertado, com vantagem de apenas 18 votos para Chinaglia, demonstrou, na avaliação de Lula, a força política de Aldo e dos três partidos da coalizão que o apoiaram e que deve corresponder à sua participação no Ministério. O PSB tem hoje os ministérios da Integração Nacional e de Ciência e Tecnologia; o PCdoB tem o dos Esportes. Dar um ministério ao PDT já estava nos planos de Lula antes mesmo da formação do bloco com socialistas e comunistas, segundo um dos interlocutores de Lula. Para o presidente, o resultado confirma a importância política dos três partidos, bem como a força do PMDB, mas não chega a desenhar um novo "mapa da Câmara". Lula já estava decidido a reduzir - ou a não ampliar - o espaço do PT no governo, para acomodar os aliados. "O presidente sempre levou em conta a força dos aliados e, por isso mesmo, quer consolidar a coalizão", disse a fonte do Planalto. O placar de 261 votos para Chinaglia contra 243 para Aldo também seria uma evidência, na avaliação de Lula, de que o Planalto não interferiu na disputa pelo Legislativo, apesar das queixas do grupo de Aldo. Por este raciocínio, o apoio do Planalto teria dado ao vencedor uma vantagem bem maior que a verificada. A participação do PMDB, que atualmente tem três ministérios (Saúde, Minas e Energia e Comunicações), pode ser ampliada, mas Lula prefere que as correntes internas do partido se componham primeiro e apresentem uma proposta unificadora, acrescentou a fonte.

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