Jose Patricio/Estadão
Jose Patricio/Estadão

Lula abafa tensão entre lideranças dentro do PT

Ex-presidente reuniu-se com Aloizio Mercadante e Rui Falcão após rumor de que ministro da Casa Civil assumiria coordenação da campanha de Dilma

RICARDO GALHARDO, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2014 | 02h06

Diante de notícias sobre disputas internas por poder na campanha de Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito intervenções para apaziguar os ânimos de grupos do PT.

Há cerca de três semanas, Lula convocou o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o presidente nacional do PT, Rui Falcão, para uma conversa em São Paulo, quando pipocavam boatos sobre a possibilidade de o primeiro ocupar o lugar do segundo na coordenação da campanha. Na reunião, Lula decidiu que Mercadante ficaria no governo, com participações eventuais na disputa eleitoral, e Falcão chefiaria a campanha.

Naquela mesma semana, Mercadante veio a público para desmentir os boatos e, desde então, não tem participado das reuniões semanais da coordenação da campanha petista.

Na quinta-feira, em ato de apoio de sindicalistas a Dilma em São Paulo, Lula definiu publicamente os papéis de cada liderança na campanha. Tomando o cuidado de elogiar Mercadante, o ex-presidente incluiu na lista o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, chefe da equipe dilmista no Estado de São Paulo, e chamou Falcão explicitamente de "coordenador-geral".

"Meu querido companheiro Aloizio Mercadante, que já foi o principal assessor econômico do movimento sindical e do PT, já foi senador, deputado e agora é ministro-chefe da Casa Civil, dando uma mão importante para a campanha da Dilma, fazendo por ela hoje o que ela fez por mim quando eu era presidente. Querido prefeito de São Bernardo Luiz Marinho, que foi ministro, presidente da CUT, mas hoje está aqui muito mais como coordenador da campanha da presidente Dilma no Estado de São Paulo. Querido companheiro Rui Falcão, presidente nacional do PT e coordenador-geral da campanha da presidenta Dilma", disse o ex-presidente.

O próximo alvo de Lula é a ala majoritária do PT que, no início da semana, por meio do coordenador nacional da corrente Construindo um Novo Brasil, Francisco Rocha, o Rochinha, enviou uma carta à cúpula do partido reclamando da falta de material e de acesso à campanha.

Segundo interlocutores, Lula demonstrou irritação com as movimentações de dirigentes petistas. Nos próximos dias, ele deve enviar um emissário para enquadrar os rebelados ao mesmo tempo em que o comando da campanha age para debelar a revolta. "O material começou a chegar", disse Rochinha.

Sem crise. Lula quer reforçar o poder de Falcão para evitar que a campanha fique acéfala, e prevenir crises como a de 2010, quando parte da equipe foi afastada após montar um dossiê contra a filha de José Serra (PSDB).

Em outro foco de tensão - as divergências entre o marqueteiro João Santana e o chefe da comunicação da campanha, Franklin Martins -, a própria Dilma entrou no circuito. A presidente chamou Franklin para uma conversa pessoal, num sinal de prestígio do ex-ministro de Lula.

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