Luiz Paulo Conde aceita convite para presidência de Furnas

Lula inicia assim nomeações para as estatais do setor elétrico

Leonardo Goy e Vera Rosa, do Estadão,

01 de agosto de 2007 | 11h20

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Luiz Paulo Conde (PMDB), informou nesta quarta-feira, 1, que aceitou nesta manhã o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a presidência da estatal Furnas Centrais Elétricas. Segundo ele, que visitou o Palácio do Planalto, a sua posse no cargo deverá ocorrer em cerca de 10 dias, depois que o seu nome for aprovado pelo conselho da empresa. Conde disse que na conversa com Lula não se tratou da polêmica em torno do contrato de Furnas com a Odebrecht para participar em sociedade do leilão das usinas do Rio Madeira em Rondônia.  Segundo o ex-prefeito, Lula disse a ele que quer um gestor a frente de Furnas. "O presidente me disse que eu já fui prefeito e que tenho capacidade de gestão", contou. Com relação às críticas a indicação de políticos para cargos estratégicos do governo, Conde disse que críticas "fazem parte" e ressaltou que no governo Fernando Henrique muitos políticos ocuparam cargos técnicos. "O José Serra (atual governador de São Paulo)não era médico e foi um excelente ministro da Saúde", disse.  Participou da reunião o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner. Desta forma, o presidente iniciará o pacote de nomeações nas estatais do setor elétrico, exatamente no fim do recesso parlamentar, com o objetivo de retomar as negociações com o Congresso Nacional para a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e da Desvinculação das Receitas da União (DRU), dispositivos constitucionais que vencem em dezembro. Com a nomeação de Conde - antiga reivindicação da bancada do PMDB na Câmara - o governo espera melhorar o ambiente político abrindo caminho para que deputados e senadores prorroguem até 2011 a validade da CPMF e da DRU.  A preocupação do governo é com a pressão de governadores e prefeitos, estimulados por fatias do PMDB, para a repartição de recursos da CPMF, o "imposto do cheque", com Estados e municípios. A partilha dos recursos é considerada catastrófica pelo Planalto, mas foi aceita pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), relator da emenda constitucional que renova a CPMF e a DRU e padrinho político da indicação de Conde para Furnas. Além de Conde, serão nomeados nos próximos dias os apadrinhados para as diretorias da Eletrobrás, Eletronorte, Eletrosul, Petrobras e BR Distribuidora. O único petista que deve entrar nessa leva é José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, indicado para comandar a BR Distribuidora.

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