ANDRE DUSEK/ESTADAO
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Ninguém sabe o que Geddel pensa, diz irmão

Após 15 dias ausente, deputado afirma que não defende nem descarta uma delação de ex-ministro

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2017 | 18h51

BRASÍLIA - Depois de ficar ausente da Câmara por 15 dias, desde que a Polícia Federal deflagrou a Operação Tesouro Perdido, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) afirmou nesta terça-feira, 19, que não é capaz de opinar sobre a possibilidade de o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), seu irmão, fechar um acordo de delação premiada.

Lúcio disse não poder emitir opinião sobre o assunto, porque “ninguém sabe o que está passando pela cabeça de Geddel lá dentro” do Presídio da Papuda, em Brasília, onde o ex-ministro está preso em regime fechado desde 7 deste mês.

“Não defendo nem ‘desdefendo’ (sic) que Geddel faça delação. O que defendo é que ele tem que ter amplo direito de defesa e o benefício da dúvida”, afirmou o deputado federal. “Não posso emitir opinião, porque quem é responsável pela defesa é ele e o advogado dele. Sou agrônomo. Ninguém sabe o que está passando pela cabeça dele lá dentro”, acrescentou Lúcio, após a insistência da reportagem. O deputado afirmou ainda que Geddel fará sua defesa “no momento adequado” e só vai se pronunciar “nos autos do processo”.

Lúcio retomou a atividade parlamentar nesta terça-feira, 19. Ele não registrava presença na Casa desde o dia 5 de setembro, mesmo dia em que a Polícia Federal encontrou R$ 51 milhões em espécie, guardados em caixas de papelão e malas dentro de um apartamento em Salvador, cidade onde Geddel e Lúcio moram. O imóvel pertence ao empresário Gustavo Pedreira, ex-diretor da Defesa Civil de Salvador, que informou ter emprestado o apartamento para Lúcio. Agentes da Polícia Federal encontraram digitais de Geddel e de Gustavo nas notas.

Cuidado. O deputado afirmou que, durante o período de afastamento, ficou cuidando da mãe, idosa, por orientação médica. Segundo ele, a prisão do irmão afetou muito sua mãe, que já é acometida por outros problemas de saúde. “Da minha parte, não tenho informações para dar (sobre possível delação de Geddel). Vocês devem se dirigir à defesa dele. Estou preocupado em cuidar da minha família e continuar exercendo meu mandato como sempre fiz, levando recursos para os municípios que represento”, afirmou o deputado, sem querer comentar sobre a origem da fortuna.

O parlamentar baiano afirmou ainda que, desde a prisão de Geddel, não conversou com o presidente Michel Temer ou com ministros que dão expediente no Palácio do Planalto sobre o assunto. “Não falei com nenhuma pilastra do Palácio do Planalto sobre isso. Mas, se necessitar tratar de temas de interesse do meu Estado, vou sem nenhum constrangimento”, afirmou, dizendo desconhecer qualquer temor do Planalto de que seu irmão venha a fazer delação premiada, como reportagem publicada na edição desta terça-feira, 19, do Estado.

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