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Luciano Coutinho visita senadores para evitar criação de CPI do BNDES

Oposição defende investigação do banco de fomento para apurar empréstimos e operações de créditos subsidiados feitos pela instituição nos últimos anos

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2015 | 11h51

BRASÍLIA - O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, visitou durante essa quarta-feira senadores para dissuadi-los de criar uma CPI para investigar operações do banco de fomento. Após a tentativa de fazer uma nova CPI mista da Petrobrás não ter sido levada adiante, oposicionistas - liderados no Senado pelo líder do DEM na Casa, Ronaldo Caiado (GO) - começaram a centrar esforços para instalar uma CPI mista do BNDES.

A oposição defende uma investigação parlamentar do banco de fomento para apurar os bilionários empréstimos e operações de créditos subsidiados feitos pela instituição nos últimos anos, inclusive aqueles realizados em outros países, como Cuba, Venezuela e Angola. Eles consideram que também podem, com a CPI, aprofundar investigações contra empresas com negócios com a Petrobrás que também teriam recebido recursos do BNDES.

Coutinho participou de reuniões em gabinetes de senadores da base aliada, como integrantes do PMDB, a maior bancada da Casa, com 18 integrantes, e o próprio líder do partido, Eunício Oliveira (CE), e ainda participou de um almoço no gabinete do senador João Capiberibe (AP), líder do PSB no Senado.

Os socialistas - que adotaram desde outubro de 2013 uma postura de independência em relação ao governo Dilma Rousseff com a candidatura ao Palácio do Planalto de seu ex-presidente Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em agosto passado - foram decisivos para a CPI mista da Petrobrás não ter vingado. Como apenas dois dos seis senadores da bancada apoiavam o pedido, a comissão formada por deputados e senadores para apurar irregularidades na estatal não foi adiante por falta de assinaturas mínimas suficientes e hoje será instalada um colegiado formado exclusivamente por deputados.

Ex-líder do PSB no Senado, Lídice da Mata (BA) afirmou que Luciano Coutinho conversou no almoço com a bancada do partido sobre investimentos do BNDES para os próximos anos e detalhou planos regionais e na área de portos. Ela negou que tenha pedido aos integrantes do partido para não assinar o requerimento de criação da CPI sobre o banco.

Mas, ainda assim, a senadora do PSB sinalizou ser contrária a apoiar a comissão de inquérito. "Eu ainda não vi qual é o fato motivador da CPI. Pessoalmente, não estou muito convencida de abertura de CPI dessa natureza, acho que esse tipo de comissão não tem dado muito certo no Parlamento", admitiu Lídice ao Broadcast Político, ao destacar que, para ela, CPIs temáticas, como da Violência contra a Mulher, por exemplo, têm surtido mais efeitos do que as relacionadas à corrupção, como foi a CPI do Cachoeira, da qual participou em 2012.

Um senador do PMDB que se encontrou com Coutinho ontem, mas pediu para não ser identificado, afirmou que o presidente do BNDES se colocou à disposição para estar na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para explicar as operações e disse que a CPI serviria apenas para fazer "embate político". Esse parlamentar peemedebista convenceu-se a não apoiar a criação da comissão de inquérito. "Foi uma atitude proativa dele. Para ter CPI, precisa ter fato determinado, é melhor pedir informação e debater antes", disse.

Até o momento, apenas 15 senadores assinaram o requerimento de instalação de uma CPI mista do BNDES. São necessários para a criação pelo menos 27 apoios de senadores e 171 de deputados.

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