Lotéricas ainda reclamam da falta de segurança

Quase um ano após a mobilização dos donos de lotéricas contra a falta de segurança, pouco foi feito para garantir a proteção das operações realizadas no local. A queixa é dos empresários do setor, que alegam terem se tornado alvos fáceis dos bandidos depois que começaram a realizar serviços bancários. Em setembro do ano passado, diversas casas lotéricas do Estado de São Paulo ficaram fechadas por um dia para protestar contra a onda de assaltos. Na ocasião, a Caixa Econômica Federal prometeu fazer um estudo sobre a questão e criar um fundo de R$ 81 milhões para montar um esquema de segurança.Os recursos viriam da Conta do Fundo de Segurança de Loterias e da receita das tarifas pagas pelos serviços feitos pelas lotéricas. Mas, segundo o Sindicato dos Comissionários e Consignatários do Estado de São Paulo (Sincoesp), até agora nada mudou.A CEF alega que foram adotadas várias ações regionalizadas para evitar as ocorrências, nas quais estariam sendo investidos os R$ 81 milhões. As providências foram aplicadas em todo o País, mas, por segurança, são mantidas em sigilo. A partir de março deste ano, o assunto foi transferido da área de loterias da Caixa para o setor de segurança. De acordo com o gerente nacional de padrões e planejamento da CEF, José Silvone de Couto, uma das medidas, que ainda passa por processo de licitação, é a contratação de empresas para o transporte de valores e a compra de cofres boca de lobo para as regiões onde há maior risco. Atualmente, o próprio dono da lotérica é responsável por esse transporte, momento em que ocorre grande parte dos crimes.A obrigatoriedade das lotéricas em aceitar o pagamento de contas foi criada em 1996 pela Caixa e consta do regime de permissão das lojas. A partir de 1998, com o aprimoramento dos sistemas, as lotéricas passaram a receber em grande volume contas de telefone, água, luz, gás e contribuições para o INSS.Fazem ainda o pagamento do programa bolsa-escola do governo federal, do vale-gás, de aposentadorias, da correção do FGTS para valores abaixo de R$ 300 (com o Cartão do Trabalhador) e funcionam até como terminais da Caixa para correntistas do banco.Quando a prestação destes serviços tomou vulto, muitos empresários chegaram até a blindar suas lojas. A CEF concordou em arcar com parte do seguro sobre o dinheiro movimentado nas lojas, mas o contrato não cobria danos à própria loja ou aos funcionários. O presidente do Sincoesp, Luiz Carlos Peralta, argumenta que a tarifa paga ? R$ 0,26 por autenticação, independentemente do valor da conta - é baixa perto do investimento feito para oferecer o serviço. Há cerca de dois anos, quando foi feita a padronização das lotéricas, o custo foi bancado pelos empresários. Com a elevação do movimento nos últimos meses, foi necessário até aumentar o número de atendentes, o que tem gerado mais encargos.A reivindicação é de que a tarifa suba para R$ 0,39 para tornar as operações mais atraentes, já que em algumas lojas o movimento com pagamento de contas é superior ao das apostas nas loterias ? a diferença poderia ajudar os empresários a resolver problemas de segurança - e que haja a autorização para que possam receber também outros tipos de documentos, para elevar o número de autenticações.Outra queixa do setor é o aumento da concorrência realizado pela Caixa, uma vez que, a cada dia, mais empresas do varejo estão se tornando correspondentes bancários, como supermercados, farmácias, padarias e até postos de gasolina.

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