Lorenzetti nega negociação para pagar dossiê

Em depoimento à CPI dos Sanguessugas, Jorge Lorenzetti, negou que houvesse interesse do PT em pagar Luiz Antônio Vedoin pelas informações contidas no dossiê contra tucanos, segundo a Agência Câmara. Ex-chefe do Núcleo de Informações e Inteligência da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lorenzetti é apontado pela Polícia Federal como ´mentor´ da negociação."Não tenho a menor idéia de onde veio esse dinheiro. Aliás isso é um trauma para mim. Não tenho nenhum vínculo com esse pagamento", disse Lorenzetti, ao alegar que as negociações de pagamento ocorreram sem seu conhecimento. Mas Valdebran reafirmou que conversou pelo telefone com uma pessoa chamada Jorge (para integrantes da CPI, seria Lorenzetti) sobre as negociações envolvendo dinheiro pelas informações contra os tucanos. Lorenzetti nega ter falado com Valdebran. "O que pôde ser constatado é que estão sendo omitidos dados. Nada foi dito que elucidasse a origem do dinheiro", resumiu o presidente da CPI, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ).Para a oposição, Lorenzetti caiu em contradição e mentiu à CPI. Levantamentos feitos pela comissão mostram que o ex-assessor da campanha de Lula trocou 105 telefonemas com Hamilton Lacerda, ex-assessor do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e apontado pela Polícia Federal como o homem da mala, nos 10 dias que antecederam à operação que estourou o escândalo do dossiê. "Esse é um conto da Carochinha muito mal contado", afirmou o sub-relator da CPI, Carlos Sampaio (PSDB-SP). "Eles se falam 105 vezes e o Lorenzetti não sabe de nada?", retrucou o sub-relator Júlio Redecker (PSDB-RS). Protegido por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, que permitiu que não respondesse às perguntas sobre quebra de sigilo telefônico, Lorenzetti afirmou que o maior beneficiado com a divulgação dos documentos apontando um suposto envolvimento de tucanos com a máfia das ambulâncias seria a candidatura do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo. O senador petista perdeu a eleição para o tucano José Serra. Segundo ele, a intenção dos contatos com Vedoin, dono da Planam, era comprovar que a maioria dos convênios para a compra superfaturada de ambulâncias tinha sido iniciada no governo anterior.Para Lorenzetti, foi uma surpresa sua prisão e a forma como foi realizada. Ele avaliou que a PF foi precipitada nas conclusões iniciais sobre sua participação no episódio e afirmou que garantiu aos Vedoin apenas apoio jurídico, embora eles quisessem dinheiro.O depoimento Gedimar Passos, um dos envolvidos na tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos, à CPI dos Sanguessugas, foi adiado. Ele deveria ter sido ouvido nesta terça-feira, mas apresentou atestado médico para justificar sua ausência. Depoimento poderá ser remarcado para próxima semana.Colaboraram Eugênia Lopes e Sônia Filgueiras

Agencia Estado,

21 de novembro de 2006 | 21h42

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