Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

'Longe de nós querer isolar o PMDB', afirma a presidente

Dilma minimizou dificuldades com maior partido da base aliada durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 16

Rafael Moraes Moura, Ricardo Della Coletta e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2015 | 18h54

Atualizado às 19h11

Brasília - Depois de o Palácio do Planalto patrocinar nos bastidores a investidura do ministro Gilberto Kassab na criação de um novo partido, em um esforço para tornar o governo menos dependente do PMDB, a presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira, 16, que não tem a intenção de isolar a sigla comandada pelo vice-presidente Michel Temer. 

"Quanto à questão de isolar o PMDB, longe de nós querer isolar o PMDB. Pelo contrário, o vice-presidente na minha chapa é o companheiro Michel Temer, extremamente solidário. Nós temos uma parceria com o PMDB, o PMDB integra o governo, participa do governo", disse Dilma, em coletiva de imprensa depois de participar de solenidade de sanção do novo Código de Processo Civil, no Palácio do Planalto.

O PMDB reivindica mais espaço na Esplanada dos Ministérios, além de querer ser mais consultado pelo Palácio do Planalto na articulação de aprovação de matérias de interesse do governo. Na manhã desta segunda-feira, Dilma participou de reunião de coordenação com o vice-presidente Michel Temer e dez ministros.

"Ninguém aqui pode achar que as instituições políticas do País estão à altura das necessidades do País. Não estão. E aí vale para todos os partidos, sem exceção. Estou falando de governabilidade, da forma pela qual se relaciona um partido na presidência da República com outros partidos", ressaltou a presidente.

"Em qualquer democracia, o diálogo é essencial. Se você instabiliza um país sempre que lhe interessa, uma hora essa instabilidade passa a ser algo que ameaça a todos, é a pior situação que tem. Estamos numa fase democrática que a gente tem de buscar o consenso mínimo, ninguém tem de concordar em tudo, não. Eu acho que é da democracia não haver concordância e unanimidade", comentou Dilma.

Congresso. A presidente também aproveitou para minimizar os recentes embates do governo com o Congresso que, segundo ela, "não tem sido adverso" na relação com o Palácio do Planalto.

"Muito se fala, 'Ah, não vão aprovar no Congresso'. O Congresso não tem sido adverso no meu governo, sempre que (o assunto) foi explicado, sempre que foi debatido antes, o Congresso foi bastante sensível, tem sido sensível", comentou Dilma a jornalistas, depois de participar de solenidade no Palácio do Planalto de sanção do novo Código de Processo Civil.

"Não vejo assim um embate, acho que é mais atraente a crise do que a não-crise, então muitas vezes se coloca a crise onde não tem crise. Agora, tem dificuldades, vai ter dificuldades. Não acredito que nesse caso do pacote anti-impunidade vai ter dificuldade. Não acredito."


Humildade. Ao ser questionada sobre a humildade do Palácio do Planalto e a sua real abertura para o diálogo, Dilma disse que existe "uma certa volúpia da imprensa em querer uma situação confessional".

"Não tem na minha postura nenhuma situação confessional. Atitude de humildade é o seguinte: você só pode abrir diálogo com quem quer abrir diálogo. Agora eu procurarei ter diálogo com quem seja quem for, é uma atitude de abertura, agora eu não estou aqui fazendo nenhuma confissão, isso aqui não é um palco de confissões", comentou.

"Se alguém achar que eu não fui humilde em algum diálogo, me diz qual, e eu tomo uma providência para mudar. Agora, uma conversa geral, 'Você não foi humilde', me diz onde, e aí tudo bem, quem sabe eu não fui mesmo. Caso contrário seria um absoluto fingimento da minha parte. Abertura para o diálogo é o seguinte: estamos dispostos a dialogar com quem quer seja, numa atitude de humildade, querendo escutar o que a pessoa diz", garantiu a presidente.

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