Zach Gibson / AFP
Zach Gibson / AFP

CPI das Fake News quer ouvir pré-candidata à presidência dos EUA e atores globais

Personalidades midiáticas sem ligação direta com a investigação sobre eleições de 2018 compõem a lista de convidados aprovados pela comissão

Paulo Roberto Netto, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2019 | 05h00

A senadora americana Elizabeth Warren, da ala progressista do partido Democrata e pré-candidata à presidência dos Estados Unidos, deverá receber um convite incomum em sua agenda política: prestar depoimento considerado “fundamental” para a CPI das Fake News, em Brasília.

Apesar de atuar em um Congresso a seis mil quilômetros de distância da capital brasileira, Warren foi incluída em requerimento apresentado pela relatora da comissão, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), por ter “criticado publicamente as grandes empresas de tecnologia”.

Recentemente, a senadora publicou um anúncio falso em sua página no Facebook para criticar a postura da empresa em não tirar do ar peças de desinformações pagas e publicadas por políticos americanos. O Facebook alega que a ação violaria o direito constitucional de liberdade de expressão.

Warren também não é o único convite incomum na comissão: atores globais como Giovana Ewbank, Bruno Gagliasso e Taís Araújo, além do cantor Caetano Veloso e sua esposa, Paula Lavigne, também poderão prestar depoimentos. Nos casos das celebridades, a justificativa é  "discutir os impactos do cyberbulling nos direitos individuais". Ewbank, Gagliasso e Araújo passaram por episódios de racismo nas redes sociais no ano passado.

O cyberbulling é um dos três pontos de trabalho da comissão, também voltada para discutir a “proteção de dados” e “aliciamento de crianças e adolescentes” no contexto das “fake news”. A discussão, no entanto, é eclipsada pela investigação política sobre a atuação de perfis falsos em tentativas de influenciar as eleições do ano passado.

"Parece até um sarau da Globo: Caetano Veloso; Bruno Gagliasso; Felipe Neto, vai vir falar sobre fake news", criticou Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), durante a sessão desta quarta. "Isso aqui, na verdade, vai se transformar é num circo".

Não há critérios para a elegibilidade para convite à CPI, basta um deputado ou senador apresentar um requerimento ao plenário. Se aprovado, a pessoa pode comparecer voluntariamente, nos casos de convite, ou obrigatoriamente, nos casos de convocação. 

Até o momento, mais de cem pessoas foram convidadas e convocadas para prestarem depoimento, entre eles os deputados Alexandre Frota (PSDB-SP), Joice Hasselmann (PSL-SP), o ex-ministro General Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido em junho, o assessor especial da Presidência Filipe G. Martins, e representantes de redes sociais e empresas envolvidas em suspeita de disparo de mensagens em massa pelo WhatsApp.

Os convites para participação na comissão, diferentemente dos casos de convocações, podem ser rejeitados. Segundo a secretaria da comissão, o convite é feito na semana anterior à sessão após a aprovação da pauta pelo presidente, senador Angelo Coronel (PSD-BA). A CPI também se encarrega dos custos da viagem, como passagem aérea e uma diária de hospedagem.

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