Logo depois de vencer eleição, Dilma recebe convite para visitar Bulgária

Presidente do país, Georgui Parvanov, convido-a, por meio de uma carta, para uma visita à terra natal do pai dela

Jamil Chade, de O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2010 | 16h38

GENEBRA - Logo após a eleição da então candidata do PT, Dilma Rousseff, à Presidência da República neste domingo, o presidente da Bulgária, Georgui Parvanov, convidou-a, em carta, para uma visita ao país de onde Dilma tem descendência."Seguimos a campanha com enorme interesse na Bulgária e sua eleição no deu muito orgulho", disse, pedindo ainda que as reformas internas continuem.

 

Na Bulgária, os principais jornais deram destaque total à eleição da recém adotada cidadão do país. Políticos também tentaram capitalizar. O prefeito de Gabrovo, Nikolai Sirakov, apontou que a vitória de Dilma "inspirará o orgulho e ânimo dos búlgaros e mostra que quem luta consegue chegar longe". Gabrovo é a cidade do pai de Dilma, que deixou a Bulgária e uma esposa esperando um filho em 1929. Hoje, a cidade vive um êxodo diante da falta de trabalho.

 

Ahmadinejad

 

O Irã também comemora a vitória de Dilma Rousseff nas eleições no Brasil e chega a destacar que o resultado no País "fortalece o bloco antiamericano". Ontem, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, deixou claro sua satisfação com a vitória da sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na esperança de que sua política externa siga os mesmos passos da diplomacia do governo que terminará no final de dezembro. Na ONU, países africanos e algumas das ditaduras mais criticadas do mundo também não disfarçaram a satisfação com o resultado das eleições.

 

Acusado de manter um sistema perverso de violações aos direitos das mulheres e de ainda manter leis como a do apedrejamento de adúlteras, Ahmadinejad fez questão de elogiar o fato de o Brasil ter escolhido sua primeira mulher presidente. Segundo o polêmico líder, isso irá impulsionar o "vistoso progresso" nos laços entre os dois países. Lula chegou a intervir no caso de uma iraniana condenada à pena de morte, sob a acusação de adultério.

 

"As relações entre Irã e Brasil se desenvolveram nos últimos anos e estou convencido de que sob vossa presidência estas relações continuarão se aprofundando", afirma Ahmedinejad em uma mensagem enviada à Dilma. "A relação entre o Irã e o Brasil continuará e será consolidado sob a liderança de Dilma", disse Ahmadinejad à agência de notícias estatal Irna.

 

Nos últimos anos, o governo Lula fez questão de opor às sanções impostas contra o Irã e tentou intermediar um acordo para solucionar a questão nuclear em Teerã. O processo fracassou e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou a alertar ao Brasil que estava sendo usado por Ahmadinejad.

 

Uma nova negociação começa a ser organizada. Mas Teerã insiste que o Brasil deve fazer parte do processo. A Casa Branca não vê isso com bons olhos. "A cooperação entre a República Islâmica do Irã e o Brasil foi muito boa sob a presidência de Lula e trouxe benefícios apreciáveis a nível bilateral, regional e internacional", destacou Ahmadinejad.

 

O presidente da Comissão de Segurança Nacional e Relações Exteriores do Parlamento Iraniano, Alaedin Boroujerdi, foi além. "A vitória de Dilma Rousseff é uma boa notícia para o Iraque, já que fortalece o bloco antiamericano", disse. "A América Latina entrou em uma corrente de oposição aos Estados Unidos", afirmou à agência Irna. "O mundo será testemunha, em breve, de uma ampliação e expansão das relações entre o Irã e os estados da América Latina", disse.

 

Nos últimos anos, o governo brasileiro tem ampliado sua estratégia de impedir que países sejam isolados da comunidade internacional por conta de acusações de violações de direitos humanos.

 

Ontem, na ONU, delegações de países africanos e de outros países em desenvolvimento não escondiam o alívio com a vitória de Dilma. "A África está aberta a investimentos de todo o mundo e de todos os nossos parceiros. Mas a realidade é que o Brasil entende melhor como funciona nossa cultura, nossas realidades", afirmou ao Estado a ministra de Justiça da Libéria, Christiana Tah. "Estamos negociando uma obra fundamental com a Vale na Libéria e queremos manter a boa relação com o Brasil", disse.

 

"Esperamos que a política do Brasil para a África não mude, que seja ampliada e que possamos descobrir muitas áreas de cooperação", afirmou a ministra da Libéria, país que tenta fortalecer sua democracia e que conta com amplo apoio da comunidade internacional.

 

Já o Sudão, praticamente isolado, conta em seus dedos o número de aliados sobre os quais pode contar. O Brasil é um dos únicos países da América Latina a ter uma embaixada em Cartum. O outro é a Venezuela. "Temos uma relação privilegiada com o Brasil e, com a vitória de alguém que foi preparada por Lula, temos a segurança de que não seremos abandonados pelo Brasil", disse a assessoria de imprensa do governo, em um comunicado enviado ao Estado.

 

Zelaya

 

Há quem também espere uma nova era nas relações com o Brasil. Em entrevista ao Estado, a vice-presidente de Honduras, María Antonieta de Bográn, deixou claro que sua esperança é de que os atritos entre o Brasil e seu governo sejam superados.

 

O Brasil hospedou em sua embaixada em Honduras o ex-presidente Manuel Zelaya, depois do caos institucional que marcou o país em 2009. Na ONU, o Brasil chegou a liderar uma ação para impedir que um embaixador que apoiava o governo que derrubou Zelaya pudesse estar na sala de reunião.

 

O governo de Porfirio Lobo assumiu em janeiro e Lula resistiu em aceitar a normalização das relações. "Espero que as coisas comecem a mudar", disse. "Vamos torcer para que isso ocorra. Na realidade, já estamos vendo isso ocorrendo", disse a vice-presidente.

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