Lobistas acreditam em ''depuração''

Ainda falta consenso sobre marco legal para reger a atividade

, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

Presidente da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), o lobista Antônio Marcos Umbelino Lôbo acredita que a atividade vive um processo de depuração. Para ele, a lei revelará, por fim, seu funcionamento e reverterá o estado em que se encontra a profissão no Brasil. "Continuam a existir safadezas no meio, mas o rumo está certo. A tendência é melhorar", afirma Lôbo, presidente de uma empresa que trabalha com lobby no Congresso há 30 anos. "Há tempos você não tinha essa discussão ética."O otimismo do empresário transborda também para a aprovação do projeto de lei que regulamenta sua atividade. "Este ano a chance é muito grande, o debate é muito intenso." A premência é tanta que a palavra "lobista" foi riscada dos dicionários relativos à área. Eles preferem ser chamados de "profissionais de relações governamentais". "A gente não queria mudar de nome, mas não adianta brigar com os fatos. Tivemos de criar um nome distinto para mostrar que é uma atividade distinta", observa, em referência ao "lobby criminoso".Sobre os projetos, Lôbo abriu críticas a ambos. O do senador Marco Maciel "está defasado" depois de tanto tempo de gaveta. Já o do deputado Carlos Zarattini tem contornos "muito burocráticos"."Se eu for falar em termos de Abrig, não tenho uma posição clara de todos os associados. Alguns são favoráveis, outros acham que não pode ser lei federal, mas autorregulamentação. Ainda temos divergências", observa. MEDIDAS COMBINADASEduardo Ricardo, diretor da Patri Relações Institucionais e Governamentais, aposta na lei federal, em combinação com mudanças no Código Penal, para sanar os problemas da atividade. Segundo ele, são quatro os pontos essenciais: instituir mandato de representação, para definir quem fala por quem; registrar lobistas perante os Poderes; obedecer a normas de conduta; e divulgar balanço anual com prestação de contas.Com relação ao Código Penal, Ricardo pede melhor tipificação e endurecimento de penas contra crimes de concussão, corrupção ativa e passiva, prevaricação e tráfico de influência. "As regras ficam claras e vamos saber distinguir o lobo do cordeiro e ponto final. É simples", avalia. "As medidas são necessárias, saneadoras e não vão atrapalhar meu trabalho."

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