Lobista é preso por tentar extorquir políticos em MG

O lobista Nilton Antônio Monteiro foi preso em Belo Horizonte acusado de fraudar documentos e assinaturas para tentar extorquir diversos políticos. Monteiro é apontado como um dos autores da chamada lista de Furnas, documento que relacionava 156 políticos de 12 partidos que teriam recebido recursos da empresa para a campanha eleitoral de 2002 e que chegou a ser investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, que afirmou serem falsas as informações.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

21 de outubro de 2011 | 18h50

O lobista foi preso ontem (20), no Centro de Belo Horizonte. A Polícia Civil mineira também executou mandato de busca e apreensão em sua casa, onde apreendeu diversos documentos que seriam usados nas extorsões e dois computadores. De acordo com a polícia, ele montava documentos de confissão de dívidas, com as assinaturas das vítimas, para cobrar os valores judicialmente. "Ele forjava os documentos, as assinaturas e depois entrava com processo para que a Justiça legalizasse a extorsão", afirmou o chefe do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil mineira, delegado Márcio Simões Nabak.

A maioria dos processos era referente a dívidas milionárias que ele cobrava por "consultoria" prestada aos políticos e empresários. O Grupo Estado obteve cópia de um dos documentos, no qual há uma declaração em nome do ex-presidente de Furnas Centrais Elétricas, Dimas Fabiano Toledo, no qual ele reconheceria uma dívida de R$ 3 milhões com Monteiro.

Além de Toledo, o documento também cita o advogado Carlos Felipe Amodeo, já morto, como devedor de outros R$ 3 milhões, dívida que teria ficado para os herdeiros do advogado. No documento consta que Dimas Fabiano assume a autoria da lista de Furnas e confirma repasses de dinheiro para vários políticos de projeção nacional, principalmente do PSDB, e que o ex-presidente da empresa tem conhecimento dos inquéritos policiais contra Monteiro "promovidos por parlamentares que de fato receberam os recursos provenientes do caixa dois". A reportagem não conseguiu localizar Toledo.

Segundo Nabak, foi este documento que levou a Justiça a decretar a prisão preventiva do lobista. O delegado afirma que a perícia teria apontado que as assinaturas são falsas e que, na data que consta no documento, Carlos Amodeo estava internado em fase terminal por causa do câncer que o matou. "Ele não tinha nenhuma condição de assinar", disse o policial.

Outros documentos semelhantes foram usados para cobrar "dívidas" de alvos como o secretário de Estado de Governo de Minas, Danilo de Castro, no valor de R$ 17,8 milhões; o ex-ministro e atual presidente do diretório mineiro do PSB, Walfrido dos Mares Guia, (R$ 50 mil); o ex-governador e atual deputado federal Eduardo Azeredo, (R$ 650 mil); o ex-secretário de Governo de Minas, Cláudio Mourão, (R$ 1,1 milhão), tesoureiro de campanha de Azeredo; o ex-deputado federal e proprietário do jornal O Tempo Vittorio Medioli (R$ 195 milhões), além de veículos de comunicação e empresários.

De acordo com Nabak, todas as vítimas negaram conhecer Monteiro e afirmaram que nunca tiveram qualquer tipo de negócio com o lobista - apesar dele ter trabalhado em campanhas eleitorais do PSDB mineiro. Segundo o delegado, os documentos de confissão de dívidas foram fraudados possivelmente com a ajuda ou conivência de cartórios de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No caso da capital mineira, o caso será encaminhado à corregedoria do Tribunal de Justiça, responsável pela fiscalização dos cartórios.

Além de Monteiro, a Justiça também decretou as prisões do advogado Alcy Monteiro, do Rio de Janeiro - que ainda não havia sido encontrado na tarde de hoje - e da corretora Maria Maciel de Souza, presa no Espírito Santo. Quando a polícia tentou ouvir Monteiro, ele se reservou o direito de falar apenas em juízo. O advogado que acompanhou o lobista no depoimento, Raul Fernando Almada, afirmou que ainda não está decidido se ele será responsável pela defesa do acusado e preferiu não falar sobre o caso.

Mas o imbróglio envolvendo Nilton Monteiro é ainda maior. Ele é testemunha do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser o operador do chamado mensalão. Outro advogado ligado ao lobista contou, inclusive, que ele tem depoimento marcado no próximo dia 27 na Justiça Federal em Minas justamente no processo que investiga o caso - que envolve parte dos citados na lista de Furnas.

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