Beto Barata/AE
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Lobista cita seis pagamentos a Agnelo

Em depoimento gravado, Tavares diz que cada um era de R$ 50 mil ou R$ 100 mil, entregues por ele mesmo na casa do governador

Lisandra Paraguassu, de O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2011 | 22h42

BRASÍLIA - Na gravação que a Polícia Federal recebeu na terça-feira, 8, das deputadas distritais Celina Leão (PSD) e Eliana Pedrosa (DEM), o lobista Daniel Almeida Tavares acusa diretamente o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, de ter recebido pelo menos seis pagamentos do empresário Fernando de Castro Marques, dono do laboratório União Química, quando era diretor da Agência Nacional De Vigilância Sanitária (Anvisa). Na conversa com Celina, Tavares dissse que cada pagamento era de R$ 50 mil ou R$ 100 mil, entregues por ele mesmo na casa de Agnelo.

 

O depoimento teria sido gravado na casa de Eliana. O lobista, no entanto, não quis assiná-lo. Segundo a deputada, ao sair de sua casa depois da gravação, alegando que iria buscar documentos e então voltaria para assinar o depoimento, Tavares pediu a ela dinheiro ou um emprego porque teria de sair de Brasília. "Disse a ele que não trabalhávamos daquela forma e ele então não voltou mais", afirmou.

 

A transcrição do texto foi distribuída à tarde pelo líder do PT na Câmara Distrital, Chico Vigilante - segundo quem o depoimento foi tomado "clandestinamente em um domingo" e não tinha validade.

 

No depoimento, Tavares diz que a relação financeira entre Agnelo e Fernando Marques é antiga. O empresário até teria "cedido" uma cota de R$ 100 mil reais em combustíveis e Tavares seria o responsável por entregar os vauchers no comitê de campanha do candidato. Em 2010, na eleição para o governo do DF, Marques teria contribuído de novo, com mais R$ 200 mil para o caixa 2 da campanha.

 

Ainda de acordo com o lobista, os dois teriam se afastado quando Agnelo não foi eleito para o Senado, mas se reaproximaram quando foi escolhido para uma diretoria da Anvisa - justamente a que concedia os Certificados de Boas Práticas de Fabricação (CBPF), exigidos de todos os laboratórios. Tavares explica que Marques entrava com os pedidos de licença e Agnelo pedia dinheiro, então entregue em sua casa.

 

O lobista acrescenta, ainda, que o empresário depositava o dinheiro em sua conta e ele, então, fazia os pagamentos. Em uma das vezes, em vez de entregar os R$ 50 mil, ficou com R$ 5 mil. Agnelo, então, teria lhe cobrado o que faltava. Em janeiro de 2008, Tavares depositou os R$ 5 mil na conta do governador. Essa é a transferência bancária já comprovada que, segundo Agnelo, seria o pagamento de um empréstimo.

 

Reação. Em nota, Agnelo repudiou as acusações. "Fui alvo de manobra sórdida, montada por aqueles que não se conformam com a legitimidade do meu mandato. Alvo de uma farsa fabricada por aqueles que perderam privilégios e o poder político", disse. "Venho sofrendo, nos últimos dias, violentos ataques que tentam me associar a atos irregulares. Estou confiante de que tudo será apurado e que a verdade começa a ser, agora, reestabelecida."

 

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