Lobby dos EUA pode colocar em xeque poder da OMC

Apesar da iniciativa do Brasil de sugerir, no último fim de semana em Tóquio, uma solução para um tratado sobre patentes de remédios na Organização Mundial do Comércio (OMC), a entidade mais uma vez não conseguiu chegar a um acordo sobre o tema. Reunidos nesta semana em Genebra, era esperado que os diplomatas concluíssem o acordo que daria a possibilidade para que os países em desenvolvimento tivessem acesso a remédios baratos. Mas assim comoocorreu em duas outras ocasiões, os governos não conseguiram respeitar o prazo dado pela OMC para a negociação. Assim como nas outras vezes, o problema foi a relutância dos Estados Unidos em aceitar que países sem capacidade de produção de remédios pudessemimportar genéricos de outros países. A Casa Branca teme que isso possa afetar as vendas de suas empresas farmacêuticas, que perderiam mercados para fabricantes de genéricos do Brasil e da Índia.O Itamaraty, para tentar resolver o problema, aproveitou a reunião promovida pela OMC neste último fim de semana em Tóquio, para sugerir que houvesse um mecanismo para garantir que apenas os países que de fato não possuem capacidade produtiva pudessem importar genéricos.Isso, na avaliação do Brasil, evitaria um abuso do acordo que pudesse ser desfavorável aos Estados Unidos. Mas o governo não teve tempo nem mesmopara transformar a idéia em um projeto escrito, diante da crítica da Casa Branca. O pior, segundo diplomatas, é que ninguém sabe o que fazer agora com as negociações em Genebra. O presidente das negociações, Eduardo Perez Motta, promete continuar com as conversações, mas não existe qualquer sinal por parte dos Estados Unidos de que podem aceitar mudanças. "O acordo sobre remédios seria uma das bases das negociações da OMC e seu fracasso põe em dúvida o poder da entidade para solucionar questões referentes aos interesses dos países em desenvolvimento", afirmou um diplomata africano.

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