Lobão elogia Dilma, mas diz que não será tutelado no cargo

Novo ministro de Minas e Energia diz que chefe da Casa Civil jamais indicou alguém nem vetou nomes

Leonardo Goy e Gerusa Marques, de O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2008 | 19h23

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em discurso ao receber o cargo do ministro interino, Nelson Hubner, fez vários elogios à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas afirmou que o ministério não será tutelado.    "A ministra Dilma é uma profissional conhecida do setor, e temos laços de amizade e admiração", disse. Em seguida, entretanto, comentou que, nos últimos dias, cresceram rumores de que a ministra, de alguma forma, influenciaria a gestão dele no ministério, mas assegurou: "Ela jamais indicou alguém nem vetou. Ninguém tutela o ministro, a não ser o presidente da República."   Veja Também:    Presidente da Eletrobrás será substituído, diz Lobão após posse  Lula empossa Lobão em Minas e Energia e descarta apagão   Lobão, entretanto, disse que, devido aos conhecimentos de Dilma Rousseff na área de energia, vai ouví-la. "Ela é uma fonte significativa de consulta para qualquer um que sente nessa cadeira. Assim como os ex-ministros Nelson Hubner e Silas Rondeau, que é um homem honrado e dedicado", afirmou, defendendo o ex-colega peemedebista, que deixou o ministério acusado de envolvimento em esquema de corrupção.   No discurso, Lobão pautou-se pela linha do governo no setor energético. Disse que o modelo criado pela ministra Dilma Rousseff privilegia o consumidor e criou um mercado saudável. Lobão defendeu a expansão da geração de energia por usinas hidrelétricas como a prioridade principal.   "A energia hidrelétrica é a mais barata e a mais eficiente", afirmou. Defendeu investimentos em fontes alternativas de energia, como as pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e os biocombustíveis. Lobão defendeu também a ampliação do parque de energia nuclear do País: "Hoje, a energia nuclear corresponde a apenas 2% da geração total do País, e é uma tecnologia que merece ser ampliada, a começar pela usina Angra 3." Segundo o novo ministro, o Brasil precisa alcançar, nos próximos anos, uma geração nuclear total de cerca de 8.000 MW.   A cerimônia de transferência do cargo terminou  no Ministério de Minas e Energia, e contou com a presença de vários políticos, entre eles o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf. Lago é adversário político do senador José Sarney (PMDB-AP), principal padrinho político de Lobão.

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