Beto Barata/Estadão
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Lobão confirma à PF ter participado de jantar de aniversário de Costa

Em depoimento prestado em 18 de maio à PF, em Brasília, o senador disse que 'passou a ter vários encontros com Paulo Roberto Costa' a partir de 2008, quando assumiu a pasta de Minas e Energia, no segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva

Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2015 | 22h51

Atualizado às 23h29

Brasília- O senador e ex-ministro Edison Lobão (PMDB-MA) confirmou em depoimento à Polícia Federal ter participado de um jantar de comemoração do aniversário do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, no Rio de Janeiro. O senador, que compareceu na cerimônia enquanto ministro de Minas e Energia, não soube, contudo, precisar o lugar em que a festa aconteceu, dizendo que estavam presentes "mais de uma centena de pessoas". 

Em depoimento prestado em 18 de maio à PF, em Brasília, o senador disse que "passou a ter vários encontros com Paulo Roberto Costa" a partir de 2008, quando assumiu a pasta de Minas e Energia, no segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o senador, os encontros costumavam ser no Ministério ou em eventos oficiais da Petrobrás. Lobão afirmou ainda que o jantar de aniversário foi o único encontro com Costa fora de eventos oficiais da estatal petroleira ou de agenda na Esplanada dos Ministérios. O depoimento foi prestado no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, na qual Lobão é alvo de dois inquéritos, abertos em março no Supremo Tribunal Federal (STF).

Questionado sobre conversas com Costa, um dos delatores da Lava Jato, o senador disse que falou "poucas vezes" por telefone com o ex-diretor e que não se lembra de ter escrito e-mails a ele. Sobre as acusações feitas por Costa, de que teria entregue R$ 2 milhões à campanha de Roseana Sarney, Lobão disse ter recebido as afirmações do delator com "indignação e revolta" e afirmou nunca ter procurado o ex-diretor para obter vantagens indevidas.

Ainda à PF, Lobão relatou que conheceu o lobista Júlio Camargo, outro delator da Lava Jato, no Ministério de Minas e Energia, onde se encontrou com ele "mais de uma vez" por interesse "numa empresa que trabalhava para a Petrobrás". O senador disse ainda não se recordar se esteve com Camargo em outros lugares, mas admitiu ter sido procurado pelo lobista para tratar de assuntos envolvendo a empresa Prysmian (Prysmian Energia Cabos e Sistemas do Brasil), para "resolver um problema da sociedade empresária no porto do canal de Vitoria, em Vila Velha, no Espírito Santo".

Embora Lobão tenha dito não se recordar de encontro com Camargo fora da Petrobrás, o lobista relatou a investigadores uma reunião entre eles no aeroporto Santos Dumont, em 2011. De acordo com Camargo, em depoimento prestado como parte de acordo de delação premiada, os dois estiveram juntos depois de uma conversa do lobista com Costa, na qual ele relatou estar sendo "pressionado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a efetuar um pagamento de US$ 5 milhões em propina, desviadas da Petrobrás. No mesmo depoimento, Camargo afirmou que Lobão teria ligado a Cunha do aeroporto dizendo "Eduardo, você está louco?". O episódio aparece também na denúncia apresentada pela Procuradoria contra Cunha, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O presidente da Câmara, contudo, tem negado as acusações.

Além disso, o senador disse ter sido procurador para tratar de um projeto de Camargo em que "ele e outras empresas tinham no sentido de reunir fundos para a construção das refinarias Premium I e Premium II, da Petrobrás. As refinarias estão localizadas no Maranhão e no Ceará, respectivamente, e estão na mira da Lava Jato. Lobão acredita ter sido procurado por Camargo por ser "ministro, sendo instancia política da Petrobrás", disse. 

Aos investigadores, o ex-ministro disse ainda que, com segurança, manteve contato com a construtora Odebrecht, também alvo da Lava Jato, já que a empresa tinha grande interesse em construir hidrelétricas no País. Ele admitiu ter estado com Marcelo Odebrecht, então diretor-presidente da construtora, e com Ricardo Pessoa, dono da UTC e delator que também citou Lobão ao Ministério Público. O parlamentar admitiu ainda ter se reunido com Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, "ao que se recorda", junto de Júlio Camargo. Eles estariam propondo a criação de um fundo para as refinarias Premium I e II, mas que tal projeto não foi adiante porque dependia de uma participação do Ministério da Fazenda.

Sobre Fernando Soares, conhecido como "Fernando Baiano" e apontado como operador do PMDB no esquema apurado na Lava Jato, Lobão disse não o conhecer.

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