Livro sobre Mário Covas trará 24 depoimentos inéditos

Na próxima terça-feira, um dia depois do que seria o aniversário de Mário Covas, a fundação que leva seu nome lança Mario Covas - A Ação Conforme a Pregação, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. O livro, organizado pelos historiadores Marieta de Moraes Ferreira e Carlos Eduardo Sarmento, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da FGV, traz 24 depoimentos inéditos de personalidades como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o empresário Antônio Ermírio de Moraes, o senador Pedro Simon, o deputado Delfim Netto e o ex-presidente do BC Gustavo Franco. Nos textos, resgatam-se os bastidores de fatos que marcaram a história política do País nos últimos 40 anos e os seis anos da administração Covas no Estado de São Paulo. Ao longo dos acontecimentos, destaca-se a participação do ex-governador em embates contra o regime militar, nas primeiras eleições diretas no País, na sepultada tentativa de acordo entre o PSDB e o governo Collor e sua contrariedade no episódio de privatização do Banespa. Sobre o Banespa, por exemplo, está incluída no livro a versão de Delfim Netto. Ele lembra que Covas se conformou com a venda do Banespa, mas espertamente - "e isso São Paulo vai ficar lhe devendo" - , transformou a Nossa Caixa num grande banco. "Isso construiu um diferencial importante para São Paulo", diz Delfim. O livro marca o lançamento da editora da Fundação Mário Covas e é o primeiro da série Memória. Segundo Osvaldo Martins, presidente da fundação, a idéia é dar uma contribuição ao País e manter vivo o raciocínio, a conduta e o pensamento político de Covas. "Espero que a fundação continue mobilizando as pessoas e transmitindo os valores pelos quais Mario Covas viveu. O legado é muito rico, para quem percebe e valoriza esses aspectos." Já a filha de Covas, Renata Covas Lopes, presidente do Conselho Curador, ressalta que a intenção da família foi evitar que a Fundação se limitasse a um culto à personalidade do ex-governador. "Nem ele gostaria disso. Nosso sonho é que daqui a 20, 30 anos, novas lideranças possam dizer que começaram a despertar para o verdadeiro processo político em nossa fundação." Não por acaso, outra das atividades da entidade é o curso de formação política, cujas três primeiras turmas, que somam 120 jovens da escola Zuleika de Barros, com idades entre 15 e 17 anos, estarão se formando no dia 23.

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