Livro sobre imigração japonesa vira disputa judicial

Em ano de comemoração do centenário da imigração japonesa, a Justiça terá de decidir um pedido de censura do livro O Súdito - Banzai, Massateru!, do jornalista Jorge J. Okubaro. Segundo o site Consultor Jurídico, a família de Seijin Kakazu entrou com ação para que a obra, finalista do Prêmio Jabuti 2007, seja recolhida. Okubaro, editorialista do Estado, pretendeu homenagear o pai, Massateru Hokubaru, que chegou ao País em 1918.Os autores do pedido alegam ofensa à honra de Kakazu. Um pedido de liminar para barrar a circulação de O Súdito foi rejeitado pela 41ª Vara Cível de São Paulo. Lançada em 2006, a biografia é resultado de ampla pesquisa. O trecho que gerou a polêmica conta a história da família Kakazu, nos anos 30, em Paraguaçu Paulista (SP).Segundo o livro, Kakazu abandonou a primeira mulher - Usaguwaa, prima do autor -, ao suspeitar que nenhum dos três filhos era seu. Deixou os dois menores e levou o mais velho, para que cuidasse de sua alma após a morte, crença dos nascidos em Okinawa. A mulher e as crianças foram acolhidas por Massateru e Fussako, pais do jornalista. Com a morte de Usaguwaa, as crianças foram adotadas pelo casal.Os familiares de Kakazu alegam que a honra foi "o bem mais precioso" deixado por ele. Pedem indenização pela publicação do livro sem autorização e por "inverdades". Alegam que nunca conversaram com o autor sobre o fato. Na versão da família, Kakazu foi traído por um cunhado e deixou as crianças com o pai. Como este não teve condições financeiras, as crianças foram entregues aos pais do jornalista."A vida de seu genitor foi exposta de maneira covarde, indevida, falseada e não autorizada, com a agravante de ter sido invadida post mortem, não lhe sendo possível nem a defesa de sua honra, que tentou preservar durante a existência", diz a advogada dos Kakazu, Ana Paula Leiko Sakauie, na ação."A vida de Kakazu não está exposta no livro. Não se pode falar em covardia, citação indevida ou falseada. Seijin entra no livro apenas como marido de minha prima. Não há nenhum juízo sobre o comportamento dele. Ele desaparece da obra no momento em que sua mulher morre", reage o autor. O seu advogado, José Rubens Machado de Campos, diz que o fato citado é conhecido pela comunidade japonesa. Ele frisa que não houve ameaça à memória de ninguém e defende a livre manifestação intelectual.

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