Livro ressuscita polêmica sobre Ibiúna

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça promoveu ontem, em São Paulo, uma homenagem aos estudantes presos durante o 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em 1968 em Ibiúna, interior paulista. Um dos principais homenageados foi o ex-ministro José Dirceu, líder estudantil em São Paulo na época e um dos organizadores do encontro.Também estava lá Jean Marc Von der Weid, líder estudantil no Rio na mesma época. Vinculado à facção política de esquerda Ação Popular (AP), Weid era o candidato com melhores chances de vencer a eleição para presidente da UNE prevista para aquele congresso - desmantelado pela polícia. Em capítulo de um livro que será lançado em dezembro sobre o movimento estudantil daqueles anos, o líder carioca desfere um pesado ataque a José Dirceu: "Ele e sua turma nos levaram ao maior desastre da história da UNE." E mais: "A vanguarda do movimento sairia daí fichada pela polícia, o que facilitou muito a repressão nos anos que se seguiram."Segundo Weid, que acabaria sendo eleito presidente num congresso clandestino no ano seguinte, foram Dirceu e sua facção que organizaram o Congresso. Ontem, o ex-ministro negou responsabilidade direta na organização e chamou de "irrelevante" a discussão sobre o assunto.

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