Livro destaca ação de jornais na transição

Obra traz relato sobre o processo de consolidação de entidade desde agosto de 1979

Daniel Bramatti, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

Em A Força dos Jornais: os 30 anos da Associação Nacional de Jornais no processo de redemocratização brasileiro, Judith Brito e Ricardo Pedreira, respectivamente presidente e diretor executivo da ANJ, fazem um relato histórico da consolidação da entidade desde 1979, quando foi criada. O livro traça ainda um panorama da imprensa nos últimos anos e seus altos e baixos por conta das turbulências econômicas pelas quais o Brasil passou desde o Plano Real.Em 17 de agosto de 1979, a criação da ANJ reuniu em torno da mesma mesa Cláudio Chagas Freitas (O Dia), João Roberto Marinho (O Globo), José Antonio do Nascimento Brito (Jornal do Brasil), Pedro Pinciroli Júnior (Folha de S.Paulo), José Maria Homem de Montes (O Estado de S.Paulo), Maurício Sirotsky e Fernando Ernesto Corrêa (Zero Hora), Francisco Antônio Caldas (Correio do Povo), Renato Simões (A Tarde), Demócrito Dummar (O Povo) e Jaime Câmara Júnior (Jornal de Brasília).A reunião consolidava um movimento iniciado no ano anterior. Foi de Cláudio Chagas Freitas, de O Dia, então com apenas 23 anos, a iniciativa de dobrar a resistência de outros empresários. "Historicamente, os jornais brasileiros eram desunidos e, por razões de mercado, tendiam sempre a privilegiar o enfrentamento de seus concorrentes, em vez de buscar a defesa dos interesses comuns. A intensa rivalidade entre os títulos de uma mesma cidade ou Estado contaminava as relações pessoais dos seus proprietários e minava o pensamento associativo", apontam Judith Brito e Ricardo Pedreira.Entre os objetivos da entidade recém-inaugurada estavam defender "a democracia e a livre iniciativa" e sustentar "a liberdade de expressão do pensamento, da informação e da propaganda". Foi na Constituinte, quase dez anos depois, que a ANJ ajudou a dar forma legal a esses preceitos. "Ajudamos de forma muito firme a construir esse pilar da democracia que é a liberdade de expressão. (...) As Redações vieram junto com a gente, se mobilizaram de forma incrível na defesa da liberdade de expressão como uma viga da estrutura da Constituição que estava sendo construída", disse Nascimento Brito, quarto presidente da ANJ, em depoimento aos autores do livro.Após um período de euforia no início do Plano Real, que provocou um boom de investimentos e endividamento, os jornais entraram em crise com a desvalorização do real, em 1999. O estouro da chamada bolha da internet, logo depois, agravou o quadro. A ANJ, então presidida por Francisco Mesquita Neto, do Estado, debatia saídas, entre elas a busca de uma linha de financiamento para o setor no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) - ideia depois abandonada - e a promoção de mudanças na lei para permitir a entrada de capital estrangeiro nos jornais.Apesar de essa última medida ter obtido sucesso, o que prevaleceu foi a busca de refinanciamento das dívidas, jornal por jornal. Estava pavimentado o caminho para o que os autores chamam de "renascimento brasileiro". Entre 2003 e 2008, a circulação dos jornais diários passou da média de 6,47 milhões de exemplares para 8,49 milhões.A ANJ chegou a 2009 em meio a uma crise econômica e enfrentando o desafio da concorrência com as novas mídias. Mas o tom do livro é otimista: "O jornal nunca foi tão lido, agora que tem sua versão digital. Cabe aos jornais transpor para esses novos formatos e tecnologias o tesouro de credibilidade que conseguiram acumular ao longo dos séculos".

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