Livre de protestos no Piauí, Lula enaltece governador petista

Bem-humorado, Lula chegou a arrancar algumas flores da decoração do palco para cheirar

Tiago Décimo, do Estadão,

27 de julho de 2007 | 21h08

Nada sobre as manifestações contrárias a seu governo, nem sobre crise aérea. Pouco sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em Teresina (PI), onde anunciou, na noite desta sexta-feira, 27, os investimentos do PAC para saneamento básico e urbanização de favelas no Piauí, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu enaltecer o governador piauiense, do também petista Wellington Dias, e sua própria administração.   Veja também:   Leia as principais frases de Lula no lançamento do PAC no NE 'Toda unanimidade é burra', diz Dilma sobre vaias a Lula Lula tenta fugir, mas é vaiado em Natal Apesar da blindagem, Lula é vaiado ao lançar PAC em Aracaju   Bem-humorado, Lula chegou a arrancar algumas flores da decoração do palco montado no Atlantic City Clube para cheirar. O presidente começou seu discurso, que durou meia hora, elogiando Dias. "Não tem ninguém neste País que tenha a competência de arrancar dinheiro do governo federal como este cidadão aqui", afirmou, abraçando o governador. "Ele é capaz, em dois dias, de conversar com ministros que eu não consigo reunir em seis meses. E ele provou que é possível fazer política sorrindo, sem ataques e sem preconceitos por causa de partidos."   O presidente afirmou, ainda, que tem prazer de investir no Piauí. "No passado, toda vez que a gente queria mostrar a pobreza no Brasil, vinha ao Piauí para escolher uma cidade pobre", afirmou. "Agora, a gente sabe e vê que cada centavo que entra no Estado está sendo investido corretamente."   Lula, mais uma vez, lembrou sua infância pobre ao anunciar as obras de saneamento e de urbanização, dizendo saber "como é acordar à meia-noite com a casa cheia de água, com ratos nadando em volta".   Aproveitou, então, para fazer uma analogia entre seu governo e a administração estadual - e montou uma projeção para o futuro. "Não quero mais fazer comparações com o passado, mas quero saber qual o legado que vamos deixar para o povo", disse, abraçado a Dias, que também foi reeleito no último pleito. "E se nós já demos uma surra nos adversários depois dos primeiros quatro anos, quando não tínhamos experiência suficiente na administração, imagina só agora."   Manifestações   Quem falou sobre as manifestações contrárias ao governo federal, que Lula e sua comitiva enfrentaram em Aracaju (SE), João Pessoa (PB) e Natal (RN), entre quinta e sexta, foi a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Ela minimizou as vaias e os protestos. "Não vejo mistério nenhum na vaia ou no aplauso.   Toda a unanimidade é burra - e é bom que as pessoas possam se expressar", disse. "Mas é bom que se diga que fomos vaiados por pequenos grupos, enquanto milhares nos aplaudiam". Opinião semelhante foi emitida pelo ministro das Cidades, Márcio Fortes.   Sobre o PAC, Dilma prometeu que vai cobrar rapidez na realização das obras previstas. "Caso notemos que as obras estejam paradas, ou em velocidade menor que a possível, sem que haja nenhuma justificativa para isso, vamos transferir os recursos alocados para outras obras", prometeu. "Não queremos dinheiro parado."   A ministra, aliás, sentiu os efeitos da série de viagens às capitais do Nordeste nos últimos dias. Por duas vezes, ela chamou o Piauí de Paraíba, causando risos e certo desconforto na platéia de cerca de 2 mil convidados.

Tudo o que sabemos sobre:
LulaPAC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.