Litoral investe para resolver problema de saneamento

Quem visitar o litoral paulista neste verão encontrará sol, praias e muitos canteiros de obras. Haverá caminhões e tratores circulando pelas ruas, mas a recompensa nos próximos anos - e não nesta temporada - será traduzida em saneamento básico. Um dos maiores problemas para os prefeitos, eterna dor de cabeça para moradores e preocupação constante para ambientalistas, o esgoto vai deixar de poluir rios e mares para ser tratado. Só no litoral norte, o investimento no setor, de 2000 a 2002, será de R$ 230 milhões, quase o dobro do gasto de 1995 a 1999. Os atuais índices de saneamento básico no litoral paulista são dignos das regiões mais subdesenvolvidas. Em Ilhabela, menos de 2% dos imóveis contam com redes coletoras de esgoto. Em Ubatuba, duas em cada dez casas não dependem das fossas. No Guarujá, pouco mais da metade tem o serviço. A meta do programa estadual é elevar esse índice para 85%.Atraso - Historicamente, pouco ou nada foi feito para cuidar do problema. Vários fatores determinavam o imobilismo das ações públicas na área. O custo para criar uma rede de esgotos no litoral é o principal motivo para o atraso. No planalto, lençóis freáticos são mais profundos e uma estação de tratamento já é capaz de dar conta de uma grande área. Ao nível do mar, a realidade é outra. A água do subsolo é mais próxima da superfície, tornando caros os sistemas de coleta e tratamento de esgoto. Em São José dos Campos, uma única estação de tratamento de esgoto é capaz de expandir a rede em 40%. Em São Sebastião, construir uma só estação seria jogar dinheiro fora. No projeto em andamento, estão previstos 11 centros de processamento. "No litoral, as obras fogem do padrão de outros lugares", explica o prefeito Paulo Julião (PSDB).Coleta seletiva - O lixo, outro problema crônico do litoral, sobretudo na temporada, também começa a receber um tratamento mais adequado. Além da retomada tímida da coleta seletiva, os lixões estão dando espaço para aterros sanitários - muitos limitam-se a empilhar sujeira sobre sujeira. A multidão que invade as praias na temporada deixa um rastro de sujeira muito maior do que as prefeituras podem suportar. O volume mais que triplica nos meses de verão. "Há dois anos, quase não entrava lixo aqui. Hoje, já estamos com falta de espaço", diz José Antônio Rodrigues Mesquita, encarregado do aterro de Ubatuba. Por causa disso, a prefeitura está derrubando a mata vizinha do local para ampliar a capacidade. Por duas temporadas, o problema será adiado. Para triplicar a vida útil de seu aterro, São Sebastião importou tecnologia alemã. O sistema de tratamento mecânico-biológico faz com que a sujeira seja consumida em um prazo bem menor de tempo. Nos aterros tradicionais, a chamada estabilização dos resíduos leva 20 anos para ser concluída. No novo método, apenas nove meses.

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