Lista de vítimas da esquerda tem ex-PM ainda vivo

Lista de vítimas da esquerda tem ex-PM ainda vivo

Em resposta a relatório da CNV, oficiais divulgam nomes de mortos pelas guerrilhas; material tem mais erros de informação

WILSON TOSTA e MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2014 | 02h05

Divulgada pelos clubes militares como resposta à Comissão Nacional da Verdade, uma lista de 126 vítimas mortas pelos grupos de luta armada contra a ditadura militar tem pelo menos sete erros. Um dos "mortos" por cuja alma "roga-se uma prece" em anúncio publicado no jornal O Globo foi entrevistado ontem. Há na relação três pessoas abatidas por engano ou acidente por policiais e três, por criminosos comuns. Assinam o texto os Clubes Naval, Militar e de Aeronáutica. O primeiro defende a lista.

O PM aposentado José Aleixo Nunes foi ferido em ataque da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e da Ação Libertadora Nacional (ALN) em 1970. Levou dois tiros de raspão e sobreviveu. Morreram no episódio, na zona leste paulistana, o sargento Garibaldo de Souza, incluído na lista dos clubes, e um taxista que passava pelo local.

"Fomos metralhados", contou ontem Aleixo, que aos 67 anos mora em Marília (SP) e, segundo disse, está com boa saúde. "Fui ferido na cabeça e nas costas." Reformado em 1995, há quatro anos Aleixo já havia sido erroneamente incluído entre mortos pela guerrilha urbana em lista divulgada pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Dois outros listados pelos clubes militares foram alvejados por policiais do DOPS no cerco ao líder da ALN, Carlos Marighella, em 1969. Eram o protético Friedrich A. Rojhman e a investigadora Stella Morato. Ele passava pela Alameda Casa Branca quando a polícia abriu fogo contra o guerrilheiro. A policial participava do cerco. Sem escolta, Marighella não teve como reagir à ação. Só policiais fizeram disparos.

Acidente. O sargento-PM Geraldo Nogueira, lotado no DOI-Codi de São Paulo, morreu em tiroteio acidental entre agentes. O confronto ocorreu em um aparelho estourado, onde policiais montavam guarda. Outros policiais que se dirigiram para o local em diligência não sabiam disso e, ao confundirem os ocupantes com guerrilheiros, deram início ao tiroteio.

Em confronto com o assaltante Milton da Silva Marques, em 8 de outubro de 1969, em Santo André, foi baleado mortalmente o PM Romildo Otênio. Ambos morreram no episódio.

Outros dois PMs, Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira, foram tratados como mortos pela guerrilha, mas a própria polícia, após investigação, comprovou que eles foram vítimas de policiais envolvidos em assaltos.

O presidente do Clube Naval, vice-almirante fuzileiro naval reformado Paulo Frederico Soriano Dobbin, primeiro afirmou não saber se o Aleixo vivo era um homônimo. Informado que o PM aposentado fora entrevistado pelo Estado, disse: "Ainda bem". Ele insistiu que os outros seis foram mortos em confronto com guerrilheiros, segundo jornais da época, e descartou que agentes tenham matado colegas por engano. "Não foi fogo amigo, não. Foram fuzilados mesmo. Houve reação."

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