DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
O comandante do Exército, Edson Leal Pujol  DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Lista de comandantes inclui nomes distantes da política; conheça

Militares mais conhecidos e barulhentos do País estão na reserva ou não têm tropas

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 05h00

BRASÍLIA – Hoje, os militares mais conhecidos e barulhentos do País, que fazem postagens com ameaças veladas às instituições, estão na reserva ou não têm tropas. A lista dos oficiais da caserna com real poder de mando, por outro lado, inclui nomes desconhecidos, distanciados do debate político. São os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e os comandantes do Exército em oito regiões militares, todos eles generais de quatro estrelas – à exceção do chefe do Comando do Planalto, um general três estrelas. 

Esses sete oficiais integram o seleto grupo dos 16 que formam o Alto Comando do Exército, subordinados a Pujol. Na Aeronáutica e na Marinha, forças com outros modelos de divisão operacional, os comandantes de áreas também têm patentes de três estrelas. 

Leia abaixo os perfis dos comandantes da três forças e dos comandantes das oito regiões militares.

A missão mais importante de sua geração

General Édson Pujol, comandante do Exército

Colega do presidente Jair Bolsonaro da turma de 1977 da Academia Militar das Agulhas Negras, o comandante do Exército, general Edson Pujol, não tem conta no Twitter e procura se afastar de discussões políticas. Ele chefiou o Centro de Inteligência do Exército e integrou a Força de Paz no Haiti. 

O oficial é um desconhecido no debate público, mas em dois momentos virou personagem das redes sociais. No início da pandemia, quando Bolsonaro disse que a covid-19 era uma “gripezinha”, ele afirmou, em mensagem ao público interno, que a crise sanitária era a “missão mais importante de sua geração”. Depois, num evento militar, cumprimentou o presidente com o cotovelo, um costume destes tempos de contágio da doença. A cena virou “meme” e desagradou Bolsonaro.

Apesar das restrições da pandemia, o general acompanha de perto os trabalhos nas unidades militares pelo País. Neste mês, ele esteve em Porto Alegre e no Rio para participar de ações de combate ao coronavirus. Também foi à Amazônia, onde acompanhou a atuação dos militares nas fronteiras, verificou treinamento de pessoal e visitou equipes da Operação Verde Brasil 2 que atuam contra o desmatamento. 

Enfrentou o óleo no Nordeste

Almirante Ilques Barbosa Junior, comandante da Marinha

É regra entre os chefes das Forças Armadas não ter conta nas redes sociais. O comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa, não foge à risca. Alega que está focado na parte operacional da Armada e no acompanhamento geopolítico estratégico internacional. Uma das prioridades dele é a situação de seu pessoal em meio a restrições orçamentárias.

O almirante só dá entrevistas para falar de seu trabalho. Os holofotes se voltaram para a Marinha no final do ano passado quando manchas de óleo se espalharam pelo litoral brasileiro. Foi um “bombardeio”, afirmou na época. Na crise ambiental, a força atuou em conjunto com outros órgãos públicos.

Conhecido pelo bom humor, Ilques costuma dizer a seus interlocutores que o problema político é problema dos políticos e não dos militares, muito menos da Marinha. O protagonismo do Exército na formação do governo Bolsonaro não é uma preocupação hoje da cúpula da Marinha, como ocorria na história da República. Nos últimos meses, houve incômodo da força, bem como do Exército, com a convocação de oficiais da ativa para atuar no Planalto e na Esplanada dos Ministérios.

Manter a FAB longe da política

Brigadeiro Antonio Carlos Bermudez, comandante da Aeronáutica

Dias antes de ir para a reserva, o brigadeiro Antonio Carlos Bermudez foi escolhido para comandar a Força Aérea Brasíleira, pelo critério de antiguidade definido por Bolsonaro. De fala mansa e tranquilo, Bermudez tinha recusado um convite para uma vaga no Superior Tribunal Militar (STM) por avaliar que tinha chances de comandar a tropa.

Com perfil conciliador, trabalha para evitar conflitos e manter a FAB afastada da política. Bermudez é outro que não tem conta pessoal nas mídias sociais e evita dar declarações à imprensa. Está focado na reestruturação da FAB. Na última sexta-feira, enquanto o setor político ainda discutia a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ), o brigadeiro estava em Guaratinguetá, em São Paulo, na formatura da Escola de Especialistas da Aeronáutica. 

É dele a maior tropa da Força

General Valério Stumpf, comandante militar do Sul

Ele tem a maior tropa do Brasil. O comandante militar do Sul, general Valério Stumpf, lidera 52 mil homens distribuídos em 152 organizações do Exército no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A posse do oficial, no dia 30 de abril, em Porto Alegre, contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro, do vice Hamilton Mourão e de ministros militares.

Antes de ocupar o posto, o discreto general atuou na Secretaria de Economia e Finanças do Exército e foi o número 2 do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e do antecessor deste, Sérgio Etchegoyen. Em Brasília, Stumpf acabou se aproximando não apenas de pessoas que formavam a equipe do atual governo, mas com oficiais de outros grupos do Exército.

O antecessor dele no Comando do Sul, general Geraldo Antonio Miotto, foi atuante nas redes sociais e hoje tem 187 mil seguidores no Twitter. Mas Stumpf não tem conta pessoal no miniblog. O general está voltado às atividades profissionais do Exército, longe de discussões políticas. Nas últimas semanas, percorreu os três estados do Sul e visitou unidades em Curitiba, Cascavel, Foz do Iguaçu e Guaíra. Nesta última, no oeste paranaense, esteve na área onde um soldado morreu recentemente no enfrentamento ao narcotráfico. 

Um dos oficiais mais influentes

General Marco Antônio Freire Gomes, comandante Militar do Nordeste

O general Marco Antônio Freire Gomes tem sob seu comando 25,3 mil homens distribuídos em 69 unidades militares, no estados do Nordeste, à exceção do Maranhão. Gentil e de temperamento sereno, é considerado uma das lideranças nacionais da força. Foi secretário-executivo do Gabinete de Segurança Institucional no governo Michel Temer.

Formado na tropa de paraquedistas, atuou nas Forças Especiais e tem cursos de segurança presidencial, logística, mobilização militar e até gerenciamento de crises, ministrado pelo Departamento de Defesa, dos Estados Unidos, em Washington. Mesmo sendo uma das referências da força em resolver impasses, continua baseado no Recife, longe do foco dos problemas do governo. Na semana passada, por exemplo, vistoriou, ao lado do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, o andamento das atividades do comando do Nordeste no combate à covid-19. Ainda acompanhou os trabalhos da Operação Pipa, que distribui água no sertão, e ações de entrega de cestas básicas na aldeia dos índios Kapinawás, em Buíque, Pernambuco.

Chefia uma das áreas mais conturbadas

General Júlio César de Arruda, comandante militar do Leste

Conhecido pela liderança e perfil conciliador, o general Arruda lidera 46 mil homens em mais de 100 unidades em três Estados. Busca entendimento e acalmar o inflamado e atuante “exército de pijama”, o setor da reserva, que tem força política no Rio.

O Comando Militar do Leste abrange uma das áreas mais explosivas do País. Embora não seja da responsabilidade do Exército, a força costuma ser convocada para atuar em regiões de tráfico de drogas, milícias e caos urbano no Rio, Espírito Santo e Minas Gerais. Foi o que o correu em 2018, com a decisão do governo Temer de intervir na segurança pública do Rio. 

Conviveu com Bolsonaro no Congresso

General Eduardo Antonio Fernandes, comandante militar do Sudeste

Após ser promovido a general quatro-estrelas, o topo da carreira, o general Eduardo Antonio Fernandes recebeu como primeira missão com a patente a chefia do Comando Militar do Sudeste, em São Paulo, um dos postos mais importantes do Exército. Dos atuais comandantes de área, ele foi o único que conviveu com Jair Bolsonaro, quando o presidente era deputado no Congresso, entre 2002 e 2005. Nesta época, Fernandes era assessor parlamentar do Exército. Os dois, no entanto, não são próximos. Bolsonaro não foi à posse dele em 28 de abril. Neste dia, o presidente enfrentou mais uma crise em seu governo, ao nomear Alexandre Ramagem como diretor da Polícia Federal, ato suspenso, em seguida, pelo Supremo Tribunal Federal.

Com 143 Organizações Militares, e 17,2 mil homens, o general Fernandes está à frente do único comando militar de área que abrange apenas um Estado. Esse diferencial se justifica pela importância estratégica de São Paulo. A exemplo dos demais comandantes está focado em cumprir sua missão constitucional e de manter a força afastada das questões políticas. 

Fronteira é prioridade

General Estevam Cals Theophilo, comandante Militar da Amazônia

À frente do Comando da Amazônia, área de expansão do Exército, o general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira vem de uma família de militares. Dois irmãos também são generais. Ele tem sob sua responsabilidade 17 mil homens, distribuídos em 100 organizações militares, sendo 30 delas na área de fronteira.

Entre as preocupações do general estão as atividades da Operação Acolhida, que trata de imigrantes venezuelanos em Roraima, o apoio no combate ao Covid e a atuação na logística de ações contra crimes ambientais. Também atua no atendimento a populações indígenas e ribeirinhas na Bacia do Amazonas. Oficiais da área dizem que, na floresta, não há tempo para pensar em questões políticas.

Boas relações com civis

General Paulo Sérgio, comandante Militar do Norte

O general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira tem sob sua responsabilidade o Comando Militar do Norte, criado em março de 2013 a partir do desmembramento do gigante Comando Militar da Amazônia. Na área militar mais nova do Exército, o oficial chefia 12 mil homens distribuídos em 30 organizações nos estados do Pará, Amapá e Maranhão, a chamada Amazônia Oriental. O comandante tem um perfil eminentemente militar. É visto como uma pessoa bem quista na caserna e fora dela. Tem bom trânsito com a imprensa local, a quem faz questão de mostrar os diferentes empregos da força terrestre na região. As principais missões do Comando do Norte estão ligadas a ações de Garantia da Lei e da Ordem, com enfoque à proteção de infraestruturas estratégicas – como rodovias, minas de ferro e hidrelétricas -, combate à exploração ilegal de recursos naturais e conflitos sociais. Como outros comandantes, atua para impedir discussão política na sua tropa.

Faz as coisas acontecerem

General Fernando José Sant’ana Soares e Silva, comandante militar do Oeste

O general Fernando José Sant’ana Soares e Silva assumiu o Comando Militar do Oeste a 29 de abril. Na chefia de 14 mil homens, em 52 unidades, tem sob sua responsabilidade a conturbada zona fronteiriça com o Paraguai e a Bolívia. Ali é rota do crime organizado internacional. Com perfil operacional, ele é conhecido por “fazer as coisas acontecerem”. No currículo estão experiência no setor de aviação do Exército, a chefia do Estado-Maior do Comando Militar do Leste e passagem pelo Estado-Maior do Exército em Brasília No exterior, foi observador militar das Nações Unidas em Moçambique, Adido Militar na embaixada do Brasil no Suriname e subcomandante do Batalhão Brasileiro no Haiti. O general Soares é mais um do time de oficiais focados na execução der missões da força. 

Da Maré para o Planalto

General Sérgio Costa Negraes, comandante militar do Planalto

O Comando Militar do Planalto é o único dos oito do Exército que tem à frente um general três estrelas. Sérgio Costa Negraes, no entanto, chefia um dos comandos mais estratégicos do País. Ele tem, entre suas responsabilidades, fazer a segurança do presidente da República e a guarda e o cerimonial militar dos palácios de Brasília. O general lidera 22,7 mil militares distribuídos em 57 organizações militares em Goiás, no Distrito Federal, no Tocantins e em parte do Triângulo Mineiro. É visto como um dos mais fortes candidatos à quarta estrela nas promoções de julho. Antes, comandou a força de pacificação no Complexo da Maré, no Rio. Embora tenha servido em diversas ocasiões no Planalto e hoje tenha proximidade com o palácio pela função que exerce, ele é mais um militar operacional focado nas atividades da força. Também procura afastar os quartéis do Cerrado das discussões políticas.

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STF e Forças Armadas abrem diálogo em busca de pacificação

Desgaste do ministro da Defesa fez o Supremo buscar interlocução com Exército; comandantes tentam ficar distantes de radicalização

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 05h00

BRASÍLIA – Na manhã de 10 de junho, uma quarta-feira, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se encontrou com o general Edson Leal Pujol, comandante do Exército, no quarto andar do principal prédio do Setor Militar Urbano. Em plena crise entre o Palácio do Planalto e o Judiciário, Gilmar pretendia medir a temperatura no Quartel General. O encontro evidenciou o afastamento do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, da interlocução entre os poderes.

Gilmar indicou que o Supremo não tem intenção de interromper o mandato de Bolsonaro. Observou, ainda, que muitas avaliações sobre o comportamento dos magistrados não passam de “teorias conspiratórias”. Nas palavras do ministro, a preocupação na Corte é com o “telefone sem fio”, uma série de mensagens “dúbias” de Bolsonaro em relação à democracia, e também com a insistência dele em sugerir que as Forças Armadas estariam com o governo numa possível ruptura institucional. Pelo Twitter, o próprio Gilmar afirmou que “Exército não é milícia”. Além disso, a ideia de que os militares podem fechar o STF e o Congresso foi classificada pelo magistrado como “incompatível” com a Constituição de 1988. 

Pujol mais ouviu do que falou naquele encontro, conforme apurou o Estadão. Gilmar encontrou ali um general econômico nas palavras, mas que deu a entender a existência de um mal estar nas Forças Armadas com posições de ministros da Corte em relação ao Planalto, possivelmente numa referência a ações de Celso de Mello e Alexandre de Moraes.

A conversa entre o ministro e o general também girou em torno de missões militares de logística e apoio ao combate à pandemia do coronavírus e da Operação Verde Brasil, de repressão ao desmatamento na Amazônia.

O comandante do Exército se mantém calado ao longo da sucessão de crises, voltado às responsabilidades da área. No encontro com Gilmar, sinalizou que não aceita nem mesmo o papel de interlocutor político da caserna ou do governo com o Judiciário, que era do ministro da Defesa. O posto está vago.

O general Fernando Azevedo e Silva, que já foi assessor do atual presidente da Corte, Dias Toffoli, perdeu espaço na interlocução depois de emitir três notas para explicar atos e declarações de Bolsonaro e sobrevoar com ele, num helicóptero, uma manifestação antidemocrática na Esplanada.

Mesmo com a recusa em ocupar o posto de Azevedo e Silva, Pujol recebe pedidos de encontros. Do lado do governo não faltam convites. Bolsonaro tem insistido em aparecer ao lado dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Foram três reuniões oficiais desde abril, um recorde da Presidência, fora as que não estão previstas na agenda. Na última quarta-feira, por exemplo, Bolsonaro  chamou Pujol para assistir à cerimônia de arriamento da bandeira, no Palácio da Alvorada. Com esses gestos, o presidente procura mostrar que as três forças estão ao seu lado. Assim, alimenta um  discurso caro aos apoiadores extremistas, insinuando que poderia haver um golpe militar em andamento, mesmo sem uma sinalização direta sobre isso.

Villas Bôas

Quando assumiu a pasta da Defesa, em janeiro de 2019, Azevedo e Silva avisou aos comandantes militares que tinha a prerrogativa de fazer manifestações políticas. Argumentou que estava num posto com essa característica. Diante disso, a exemplo de Pujol, o almirante Ilques Barbosa, da Marinha, e o brigadeiro Antônio Carlos Bermudez, da Aeronáutica, evitam exposições nas mídias sociais e se mantêm quietos, focados nas ações de suas áreas. 

Em 2018, às vésperas do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou no Twitter que repudiava “a impunidade” e que a força estava “atenta às suas missões institucionais”, sem explicar o que pretendia dizer com aquela expressão. Hoje, Villas Bôas, na reserva, tem um “exército” de 780 mil seguidores no aplicativo e seu exemplo de intromissão na política não é seguido pelos atuais comandantes, que só possuem contas institucionais nas redes sociais. 

Na esteira de Villas Bôas, porém, muitos militares da ativa criaram perfis pessoais no Twitter e no Facebook. Pujol não aceitou. Em julho do ano passado, o então chefe do Estado Maior do Exército e atual ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, assinou a portaria 196, que proibiu a militância virtual dos militares da ativa. Braga Netto observou que manifestações políticas não estavam previstas no Estatuto dos Militares e no Regulamento Disciplinar do Exército. A única ressalva era para integrantes do Alto Comando do Exército, que podem ter perfis funcionais, mas possuem recomendações expressas de não usar esse instrumento para qualquer tipo de manifestação política.

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Generais criticam presença de oficiais da ativa no governo

Entendimento nas três forças é que o escolhido – como Ramos e Pazuello – deve ir para reserva ao assumir cargo civil

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 05h00

BRASÍLIA – O discurso de distanciamento das Forças Armadas da política é prejudicado pela presença de militares da ativa na gestão Bolsonaro. Os ministros da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e da Saúde, Eduardo Pazuello, por exemplo, são generais da ativa.

O entendimento geral nas três forças é de que o escolhido, ao assumir o posto de natureza civil, deveria pedir transferência para a reserva. Ramos disse, recentemente, que pretende aposentar a farda para se dedicar à articulação política do governo. 

O Estadão revelou que 2,9 mil militares da ativa ocupam cargos no Executivo. São 1.595 integrantes do Exército, 680 da Marinha e 622 da Força Aérea. A reportagem levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a decidir contar quantos militares ocupam cargos na administração Bolsonaro, além de fazer uma tabela comparativa da atual gestão com as de Michel Temer e Dilma Rousseff.

“Respeito a decisão da maioria do Tribunal. Mas também não seria importante saber quantos médicos e engenheiros tem no governo? Quantos homens e mulheres? Quantos indígenas, negros, pardos e brancos? Digo com propriedade que militares são cidadãos fardados que mesmo na reserva continuam servindo ao País. Diante disso questiono: há algum problema com os militares?", perguntou Ramos, em postagem nas redes sociais, no último dia 18.

De qualquer forma, há também incômodo, na Marinha e na Aeronáutica, com a nomeação do pessoal da ativa para trabalhar no Planalto e na Esplanada, e com a tentativa de Bolsonaro de colar sua imagem à das Forças Armadas. Em fevereiro, o presidente convocou o almirante Flávio Rocha para assumir uma assessoria especial no seu gabinete. Atualmente, o oficial executa várias tarefas para ajudar Bolsonaro a solucionar problemas, principalmente os políticos.

A presença de Rocha no gabinete presidencial preocupa a Marinha. Das três forças, a Aeronáutica é a que tem menos pessoal da ativa no governo. A maior apreensão, atualmente, é com uma onda de manifestos de militares da reserva a favor de Bolsonaro e contra o Judiciário e o Congresso. Embora afastados do dia a dia da força, os oficiais aposentados da Força Aérea Brasileira (FAB) acabam sendo vistos como representantes da instituição.

Na última quinta-feira, o texto “504 Guardiões da Nação”, que circulou nas redes, contava com 243 militares da reserva, a maioria da FAB, aí incluídos seis tenente-brigadeiros, ex- integrantes do Alto Comando da Aeronáutica.

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