Lista da CPI dos Sanguessugas não trará os 112 suspeitos

O relatório da CPI dos Sanguessugas, que deverá ser apresentado e votado na primeira semana de agosto, não trará o nome dos 112 parlamentares apontados como envolvidos com a máfia das ambulâncias. A informação é do relator da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), ao explicar no domingo, 23, que será enviado aos Conselhos de Ética da Câmara e do Senado um número inferior de envolvidos no escândalo, com os nomes apenas de parlamentares contra os quais a comissão tem provas "convincentes e exuberantes"."Com absoluta certeza, o número no relatório será menor do que os 112 parlamentares", disse Lando. Segundo ele, as investigações sobre quem não for citado agora no primeiro relatório por falta de provas consistentes vão continuar depois das eleições de outubro.Lando confirmou os nomes dos 112 parlamentares divulgados pela revista Veja. A maioria deles foi citada por Luiz Antonio Trevisan Vedoin, um dos donos da Planam, principal empresa do esquema de venda superfaturada de ambulâncias para prefeituras."Aqueles contra os quais a comissão tem convicção do envolvimento vão para o relatório. Nos casos em que houver dúvidas, vamos pedir a quebra do sigilo bancário, telefônico e fiscal e aprofundar as investigações depois de outubro", disse o presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ). O relatório preliminar também não citará o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, candidato do PT ao governo de Pernambuco.Costa foi citado por Vedoin e acusado de participar de esquema junto com José Airton Cirilo, integrante do Diretório Nacional do PT, para beneficiar a Planam na liberação de recursos no ministério. "O Humberto Costa e os parlamentares contra os quais não há provas convincentes ficarão para uma segunda fase da CPI", insistiu o relator.Também ficará para uma segunda fase as investigações sobre a atuação da máfia nos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Educação para a compra de ônibus.Na lista de 112 nomes estão 99 deputados, 3 senadores e 5 ex-parlamentares, além de 5 congressistas que estão na relação do Ministério Público, mas não foram citados por Vedoin. O vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), defendeu a notificação de todos os 112 para que eles expliquem o seu eventual envolvimento com a máfia.

Agencia Estado,

24 de julho de 2006 | 00h36

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