Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Lira faz festa da vitória para 300 pessoas em meio à pandemia; veja vídeo

Poucos convidados usavam máscaras, o que incluía ministros do governo de Jair Bolsonaro

Dida Sampaio e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2021 | 19h34
Atualizado 02 de fevereiro de 2021 | 20h08

BRASÍLIA - Horas após dizer que colocará em votação medidas de combate à pandemia de covid-19 e defender a vacinação enfaticamente, o novo presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), promoveu uma grande festa de comemoração de sua vitória em uma casa no Lago Sul, área nobre de Brasília. Cerca de 300 pessoas estiveram no local e poucos convidados usavam máscaras, o que incluía ministros do governo de Jair Bolsonaro, fiador da eleição de Lira - que também estava sem a proteção. 

Articulador político do Palácio do Planalto, o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, foi um dos presentes. O “02” de Ramos na pasta, o secretário executivo Jônathas Assunção, acompanhou o chefe. Como revelou o Estadão, seu gabinete se tornou um QG da campanha de Lira na reta final, onde cargos e emendas eram negociados. Ramos tratou Lira como “cabra da peste” e deu tapinhas no ombro para reverenciá-lo pela vitória. O ministro Fabio Faria (Comunicações) e os secretários Fabio Wajngarten (Comunicações) e Jorge Seif (Pesca) completavam o time do governo na festa. O ex-ministro do Turismo, deputado Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), curtia animado.Fabio Faria (Comunicações), Fabio Wajngarten (Secretaria de Comunicações) e Jorge Seif (Secretaria da Pesca) completavam o time do governo na festa. O ex-ministro do Turismo, deputado Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), curtia animado.

Deputados e políticos aliados, como Roberto Jefferson, presidente do PTB, eram maioria. O grupo mais íntimo de Lira estava em peso: Ciro Nogueira (PP-PI), Ricardo Barros (PP-PR), André Fufuca (PP-MA), Hugo Motta (Republicanos-PB), João Carlos Bacelar (PL-BA), Marcelo Ramos (PL-AM), Guilherme Mussi (PP-SP), Ricardo Izar (PP-SP), Marcelo Aro (PP-MG), Claudio Cajado, Evair de Melo (PP-ES), Fred Costa (Patriota-MG), Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) e os rebeldes no DEM Pedro Lupion (PR) e Luís Miranda (DF).

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Nas conversas ao pé do ouvido, esses aliados asseveravam que Lira não seria subserviente a Bolsonaro.  Um apoiador de Lira ponderou, no entanto, que ele começou mal ao dissolver o bloco da oposição como primeiro ato. Lira havia aceitado a formação do bloco adversário pois considerava a eleição ganha, e tomou a atitude depois de pregar o diálogo e decisões colegiadas. Foi aconselhado a rever e buscar composição.

Mas até mesmo quem não apoiou Lira compareceu. A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) para dar um abraço no novo presidente. O deputado Julian Lemos (PSL-PB), outro “desiludido” com Bolsonaro, festejou a vitória governista. Figuras antes identificadas com a Operação Lava Jato, que investiga Lira, dançavam animadas, como o militante conservador Tomé Abduch, do movimento Nas Ruas.  Bolsonaristas ostentavam camisas da campanha presidencial de 2018.

A bancada feminina foi representada por Bia Kicis (PSL-DF), Renata Abreu (Podemos-SP), Soraya Santos (PL-RJ) e Caroline de Toni (PSL-SC). A ex-deputada Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, cantou Malandragem, de Cássia Eller.

Uma banda de música animava os presentes. A trilha passou por pop rock, axé music e muito sertanejo e modãoUm dos mais animados no microfone era o deputado Fausto Pinato (PP-SP), crítico contumaz da política externa bolsonarista e porta-voz das insatisfações chinesas no Congresso.

O buffet tinha opções de pratos quentes, entre eles massa com molho vermelho e paella. De sobremesa, uma variedade de tortas. Dois bares serviam coquetéis como caipirinha, gin tônica, drinks com frutas e vodca, uísque, chope artesanal e vinhos espumantes, além dos tintos suave ou seco.

A festa ocorreu num ambiente externo nos jardins de uma casa na Península dos Ministros, a poucos metros da residência oficial da Câmara. São duas casas contíguas que formam ampla área externa. Havia um bar com balcão, piscina iluminada daquelas com passagem submersa para sauna e luzes coloridas de neon projetada. Ao lado, um lago com carpas.

A propriedade numa “ponta de picolé”, o estilo de casa mais valorizada na capital federal por ter acesso ao Lago Paranoá, pertence ao produtor e comerciante de frutas Marcelo Perboni. A empresa dele é uma das principais fornecedoras do País. Ele e a mulher, Daniela Perboni, foram anunciados como anfitriões pelos cantores. Estão acostumados a celebrar em casa e promover festejos e recepções frequentadas por políticos, como o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Imagens de bastidores das viagens da campanha de Lira eram exibidas num telão. No meio da festa, a música foi interrompida para um discurso. “A partir de amanhã, a vida é dura”, afirmou o novo chefe da Câmara, sendo abraçado e assediado por ao menos dez pessoas ao seu redor, contrariando todas as recomendações de autoridades de saúde para evitar a propagação do novo coronavírus.

Pouco antes, ainda no plenário da Câmara, Lira havia pedido um minuto de silêncio para os mais de 225 mil mortos pela doença no País. “Temos que fortalecer a rede de proteção social. Temos que vacinar, vacinar e vacinar o nosso povo”, disse o deputado, antes da festa.

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