Pablo Valadares/Agência Câmara
Pablo Valadares/Agência Câmara

Lira diz ser ‘guardião da democracia’: ‘Não tem possibilidade de ruptura institucional’

Presidente da Câmara afirma não ter dúvidas de que haverá eleições ‘limpas’ em 2022; Bolsonaro volta a defender voto impresso e ataca TSE: ‘Vão contar votos num quarto escuro’

Camila Turtelli e Gustavo Côrtes, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2021 | 14h55

BRASÍLIA – O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), disse nesta quarta-feira, 28, que não há possibilidade de ruptura política institucional no País e se apresentou como guardião da democracia no governo de Jair Bolsonaro. Lira afirmou não haver dúvida de que haverá eleições “limpas e transparentes no Brasil”, em 2022.

“Enquanto nós estivermos aqui na presidência da Câmara, nessa posição, que é passageira, nós seremos, estaremos aqui como guardiões da democracia. Não tem possibilidade de ruptura política institucional no Brasil”, declarou Lira, em entrevista à Globonews. “Nós não somos qualquer país”.

Na quinta-feira, 22, o Estadão revelou que no último dia 8 o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), recebeu um duro recado do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, por meio de um interlocutor político. Na mensagem, o general pediu para comunicar, a quem interessasse, que não haveria eleições em 2022 se não houvesse aprovação do voto impresso no Brasil. Após a publicação da reportagem, Braga Netto divulgou nota dizendo que não se comunica por meio de interlocutores e reiterando o apoio ao “voto eletrônico auditável por meio de comprovante impresso”.

Lira disse que o assunto é “página virada” e não cabe a ele “tocar fogo” no recesso parlamentar. “Muitas polêmicas são feitas quando qualquer Poder às vezes interfere no limite da atribuição do outro, o que causa algum tipo de desgaste. Nós temos que ter sempre a serenidade para colocar cada um dentro do seu quadrado, dentro dos seus limites constitucionais. Sempre com harmonia, mas com a independência necessária”, afirmou. Na avaliação do presidente da Câmara, a ida do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) para a Casa Civil levará ao governo Bolsonaro “uma articulação maior” e “mais firmeza” para a demonstração de unidade entre os Poderes.

Logo depois de Lira dar a entrevista, porém, Bolsonaro voltou a defender o voto impresso, chamado agora por ele de “voto democrático”. “O povo vai reagir em 2022 se não houver eleições democráticas”, afirmou o presidente a apoiadores, no Palácio da Alvorada. “Nós não podemos admitir que as mesmas pessoas que tiraram o Lula da cadeia, tornaram ele (sic) elegível, vão ser essas pessoas que vão contar os nossos votos num quarto escuro no TSE. Isso não pode ser admitido”, emendou, numa referência ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luis Roberto Barroso.

Bandeira do bolsonarismo, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que institui o voto impresso continua em uma comissão especial da Câmara. O Estadão apurou que o governo deve ser derrotado quando a PEC for analisada, em agosto, após o recesso parlamentar.

Lira afirmou que o sistema de urna eletrônica, adotado há 25 anos no Brasil, é confiável. Argumentou, no entanto, que uma parte da população e também de parlamentares quer debater o tema. “Quero só lembrar de um detalhe: nós vamos ter eleição em outubro do ano que vem, como vamos ter uma eleição em 24, como vamos ter eleição em 26, limpas e transparentes. Eu não vejo nenhuma dificuldade, em algum momento, de aumentar o rigor de auditagem nas urnas”, disse.

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