Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Lira diz que tema impeachment cabe a Maia: ‘Não quero usurpar um dia de mandato’

Líder do Centrão afirma que só falará sobre essa questão se for eleito presidente da Câmara

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2021 | 13h56

RIO – Líder do Centrão na Câmara dos Deputados e candidato de Jair Bolsonaro para a presidência da Casa, o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL) afirmou nesta quarta-feira, 20, que a discussão sobre eventual processo de impeachment de Bolsonaro não é assunto de sua campanha. “Impeachment é tema pertinente ao presidente atual da Casa. Não vou usurpar nem um dia do mandato dele”, declarou Lira, que faz visita ao Rio. “Se eu me eleger no dia 1º, eu falo dessa questão.”

O candidato, que na terça-feira recebeu apoio formal do PTB e também de parte da bancada do PSL, garantiu ainda que a adesão a sua campanha já é o maior “em termos quantitativos” na Câmara dos Deputados.

Segundo Lira, o apoio do PSL à sua candidatura “é fato consumado”. “Temos regras regimentais, já tínhamos maioria absoluta. Havia aquelas questões internas (no PSL) de suspensões, mas nós não concordamos com a decisão monocromática. Encontramos politicamente uma outra forma. Essa questão está resolvida”, declarou. “Tivemos também a entrada do PTB, o que nos faz hoje o único bloco formal dentro da Casa e o maior em números quantitativos.”

Nesta quarta-feira, o placar do Estadão mostrou que evangélicos, ruralistas e bancada da bala dão vantagem a Lira na disputa pela Câmara.

O deputado também negou que tenha conversado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre eventual apoio a um novo imposto sobre transações financeiras. E acrescentou: “Quero deixar claro uma mudança de rumo a partir de 2 de fevereiro. O presidente (da Câmara) vai sempre pautar, mas vai sempre ouvir o colégio de líderes, a maioria. A política do ‘eu faço’ vai acabar. Nós vamos fazer.”

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Lira cumpriu agenda na Assembleia Legislativa do Rio e depois se encontrou com o governador em exercício, Cláudio Castro (PSC), e parlamentares no Palácio Guanabara. Lira apareceu ao lado de diversos deputados federais do Rio, incluindo os da bancada do PSL, legenda que passou a apoiá-lo.

“Nós temos que tratar todos juntos, desta vez sem politização nenhuma, da questão da vacina. A vacina tem que ser para todos, para toda população, para todo o estado. Não tem que ser para esse ou para aquele", declarou.

Questionado sobre como poderia agir de forma mais efetiva caso assuma o comando da Câmara, Lira desconversou, mas mandou uma indireta ao atual presidente da Casa, Rodrigo Maia. “Essa distorção que nós temos no sistema brasileiro tende a se encerrar. O presidente da Câmara não é o salvador da pátria nem será. Ele não é o dono da casa nem o dono da Câmara. As coisas daqui pra frente serão decididas em conjunto.”

Além da vacina, Arthur Lira apontou quais devem ser as prioridades do Congresso. “Nossa prioridade 1, 2 e 3 é resolver essa questão orçamentária”, disse.

“Tenho previsão que algumas reformas andarão mais rápido: a reforma da PEC Emergencial no Senado e a Administrativa na Câmara. A reforma tributária, importante e necessária, terá uma atenção, claro. Mas ela deverá ser tratada com mais transparência. Ela vai ser tratada com um relatório pronto. Até lá, tudo é especulação.”

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