Cleia Viana/ Agência Câmara
Cleia Viana/ Agência Câmara

Após ação de Lira, manifesto que pede pacificação entre Poderes é adiado; veja o texto original

Documento já havia reunido mais de 200 assinaturas e acabou adiado; texto que seria divulgado amanhã não tem nova data de divulgação

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2021 | 13h01
Atualizado 31 de agosto de 2021 | 01h00

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), entrou em campo para atenuar o impacto político de um manifesto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que pede a pacificação entre os três Poderes. Lira conversou por telefone no fim de semana com Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Após a investida de Lira, a divulgação do documento — que teve origem na Federação Nacional dos Bancos (Febraban) e já havia reunido até ontem mais de 200 assinaturas — deve ser adiada para depois do feriado de 7 de Setembro, quando serão promovidos atos convocados pelo presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

O adiamento do manifesto, previsto para ser publicado amanhã, foi considerado um "tratoraço" do governo federal, segundo representantes de associações empresariais. A data final estabelecida pela Fiesp para receber adesões ao documento era sexta-feira, dia 27, até as 17h. Skaf adiou esse prazo com o argumento de que era necessário ampliar devido ao grande número de entidades patronais que desejam assinar o manifesto, mas precisam antes cumprir um ritual interno de aprovação da iniciativa em suas assembleias ou conselhos. A informação do adiamento foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão

Ainda filiado ao MDB, Skaf é considerado por bolsonaristas um aliado em São Paulo. Embora tenha calibrado nos últimos meses a associação com o presidente, ele mantém um canal de diálogo com o Palácio do Planalto.A versão do texto que saiu da Febraban era um pouco mais enfática na crítica, mas também não citava o nome do presidente da República. Segundo informações de signatários, a versão final ainda estava sendo redigida. Abaixo, a versão que circulava entre as entidades antes da divulgação oficial, ainda sem data.  

A Praça é dos Três Poderes

A praça dos três Poderes encarna a representação arquitetônica da independência e harmonia entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, essência da República. Esse espaço foi construído formando um triângulo equilátero, cujos vértices são os edifícios-sede de cada um dos poderes. 

Esta disposição deixa claro que nenhum dos prédios é superior em importância, nenhum invade o limite dos outros, um não pode prescindir dos demais. Em resumo, a harmonia tem de ser a regra entre eles.

Este princípio está presente de forma clara na Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país. Diante disso, é primordial que todos os ocupantes de cargos relevantes da República sigam o que a Constituição nos impõe.

As entidades da sociedade civil que assinam este manifesto veem com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas. O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer, a gerar empregos e assim possa reduzir as carências sociais que atingem amplos segmentos da população.

Mais do que nunca, o momento exige do Legislativo, do Executivo e do Judiciário aproximação e cooperação. Que cada um atue com responsabilidade nos limites de sua competência, obedecidos os preceitos estabelecidos em nossa Carta Magna. Este é o anseio da Nação brasileira.

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