Lins respondeu só a perguntas 'cômodas', diz deputada do Rio

Deputado acusado de 'chefiar quadrilha' prestou depoimento na Assembléia; para corregedor, denúncia é grave

Marcelo Auler, de O Estado de S. Paulo,

04 de junho de 2008 | 13h00

A deputada estadual Cidinha Campos (PDT) afirmou nesta quarta-feira, 4, considerar "deplorável" o depoimento prestado esta manhã pelo deputado e ex-chefe da Polícia do Rio Álvaro Lins (PMDB) à Corregedoria da Assembléia Legislativa. Segundo Cidinha, Lins recusou-se a responder a suas perguntas, limitando-se a responder aos questionamentos "cômodos" do corregedor. O corregedor da Casa, Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), afirmou na última terça que em até 15 dias encaminhará à Mesa Diretora da Casa, para eventual análise na Comissão de Ética, sua conclusão sobre a hipótese de ter havido quebra de decoro parlamentar. "As denúncias são gravíssimas. A imagem da Casa está péssima", disse.  Veja também:PF vê elo entre Álvaro Lins e milíciasEntenda a Operação Segurança Pública, que envolve Garotinho PF cumpre mandado de busca na casa do ex-governador PF prende ex-chefe de polícia do RJ; MP denuncia Garotinho Denunciado pelo Ministério Público Federal sob a acusação de praticar os crimes de formação de quadrilha armada, lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção passiva, Lins chefiou a Polícia Civil do Rio de 2000 a 2006, quando foi eleito. Ele foi preso na manhã da última quinta-feira, durante a Operação Segurança Pública S.A., da Polícia Federal, que também cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do ex-governador e ex-secretário de Segurança Anthony Garotinho (PMDB), acusado de apoiar a "organização criminosa" supostamente comandada por Lins. Pouco antes do depoimento de Lins, a deputada havia sido impedida pelo corregedor da Casa, o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), de participar do interrogatório. Rocha permitiu que ela apenas assistisse à sessão fechada, mas sob o compromisso de não interrogar Lins. Esbravejando, a deputada prometeu tomar providências junto ao presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB) para exercer seu mandato. "Quem é ele para tentar me impedir de falar dentro desta Casa? Vou agora mesmo recorrer ao Picciani" disse Cidinha.  O deputado foi sabatinado pelo corregedor e pelo corregedor-adjunto da Alerj Comte Bittencourt (PPS). Além dos três parlamentares, participou do interrogatório um assessor de Lins, que seria delegado da Polícia Civil.

Tudo o que sabemos sobre:
Álvaro LinsOperação Segurança

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.