'Língua afiada', Chiarelli assumirá vaga de Herrmann na Câmara

O suplente deverá assumir a vaga de deputado federal depois de Herrmann ter sido encontrado morto

Brás Henrique, de O Estado de S. Paulo,

12 de abril de 2009 | 17h29

O suplente Fernando Chiarelli (PDT), de Ribeirão Preto, deverá assumir a vaga de deputado federal nesta semana, após a morte de João Herrmann Neto, encontrado morto na piscina de sua fazenda na madrugada deste domingo, 12, em Presidente Alves, na região de Bauru. Polêmico e crítico de quase todos os rivais políticos de Ribeirão Preto, Chiarelli poderá se tornar uma figura não grata na Câmara dos Deputados, pois é quase impossível segurar a sua língua afiada quando toma uma posição. Até no próprio partido tentaram afastá-lo da possibilidade de ser empossado, caso Paulo Pereira da Silva fosse cassado no final de 2008, acusado de envolvimento em esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

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Como saiu do PDT e retornou pouco depois, uma briga pela vaga da suplência deverá ocorrer nos bastidores. "Assumo eu", afirma Chiarelli, ciente de que um embate judicial virá pela frente. "Imagino que vai cair o mundo em cima de mim", diz ele, que era o segundo suplente do PDT. Porém, no ano passado, nas eleições municipais, o então deputado Reinaldo Nogueira ganhou a disputa da prefeitura de Indaiatuba e se afastou do cargo federal. Aí assumiu Herrmann Neto, o primeiro suplente, que faleceu. Então, a vaga pertence a Chiarelli, que, em 2008, saiu do PDT e ingressou no PTB para tentar concorrer à eleição a prefeito em Ribeirão Preto. Porém, o PTB não o escolheu como candidato e Chiarelli voltou rapidamente ao PDT.

 

O diretório municipal, que está sob intervenção e comando por uma comissão provisória, tentou evitar o seu retorno e o terceiro suplente da legenda, João Jorge Fadel Filho, encaminhou uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), solicitando para si a vaga de suplente do PDT. Mas o TSE, em 19 de fevereiro deste ano, negou o pedido de agravo instrumental de Fadel Filho - a discussão era sobre suplência e não titularidade da vaga. "Eu vou tomar posse e ele (Fadel Filho) é quem vai querer me tirar, mas para isso precisa ter um processo judicial regular", comenta Chiarelli. "Confio no deputado Michel Temer e vou tomar posse na forma da lei", avisa ele.

 

Fernando Chiarelli avisa que também vai se prevenir juridicamente, pois, nos bastidores, segundo apurou a reportagem do Estado, circula a informação de que vários partidos que não o querem em Brasília teriam feito um acordo com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB). Pelo suposto acordo, Temer consultaria o PDT sobre o dono da vaga da suplência. O partido indicaria Fadel Filho, o que causaria uma disputa judicial. E isso poderia se arrastar até o final do mandato, em 2010, deixando Chiarelli longe de sua cadeira no legislativo federal.

 

Em Ribeirão Preto, Chiarelli foi eleito vereador em 1992 pelo PDS, mas foi cassado por falta de decoro parlamentar, ao ofender um colega deficiente físico, e se tornou inelegível por oito anos. Sempre tentou revogar essa decisão e moveu inúmeras ações judiciais contra os desafetos políticos, principalmente o ex-prefeito Antônio Palocci Filho (PT), que agora será o seu colega em Brasília. Não poupou críticas ainda, entre outros, ao deputado estadual Baleia Rossi (PMDB), aos ex-prefeitos Luiz Roberto Jábali (PSDB), já falecido, e Welson Gasparini (PSDB), e ultimamente dispara suas frases e iras contra a prefeita Dárcy Vera (DEM). Curiosamente, Dárcy era sua suplente na Câmara de Ribeirão Preto e assumiu o cargo após Chiarelli ser cassado.

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