Lindbergh vê 'sinal claro' de Lula em apoiar sua candidatura ao governo do Rio

Segundo ele, ex-presidente disse que 'todo mundo tem direito a se candidatar'

Wilson Tosta, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2013 | 16h29

RIO - Pré-candidato do PT ao governo fluminense, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) comemorou nesta quarta-feira, 27 o que interpretou como sinal "claro" de apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua candidatura ao Palácio Guanabara, mesmo paralela à do vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). A aliança com Pezão tem sido exigida pelo grupo do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), que ameaça não apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff se não tiver apoio do PT local.

Em entrevista publicada nesta quarta no jornal "Valor Econômico", Lula afirmou que "o projeto principal é garantir a reeleição de Dilma", mas o petista não interpretou essa declaração como um possível obstáculo à sua postulação.

"Lula foi muito claro", afirmou. "Vai haver (no Rio) três ou quatro candidaturas, a minha forte, a de Pezão também. O que eu acho muito bom." Para Lindbergh, Lula "foi muito elegante", ao reconhecer que "todo mundo tem direito a se candidatar". Na entrevista, o ex-presidente disse que Lindbergh pode ser candidato a governador do Rio de Janeiro "sem causar problema".

O senador reconheceu que a relação com o bloco de Cabral "está ruim", depois da divulgação, pela revista "Época", de reportagem sobre investigação por suposto desvio de dinheiro da prefeitura de Nova Iguaçu que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Lindbergh. Segundo a publicação, a fonte das informações foi o PMDB. "Mas quero dizer que Lula deixou claro a minha candidatura", reforçou. Ele lembrou que, no primeiro turno de 2002, Lula concorreu à Presidência com dois candidatos a governador do Rio: Vladimir Palmeira (PT) e Marcelo Crivella (PRB). Lindbergh avalia em vários Estados a presidente Dilma terá mais de um palanque em 2014.

"Aqui no Rio, talvez sejam três palanques, se o PR apoiar a presidente Dilma e lançar (Anthony) Garotinho", destacou.

Para Lindbergh, o PMDB do Rio, sob comando de Cabral, tem um projeto de poder até 2026, elegendo Pezão para governar quatro anos e o hoje prefeito Eduardo Paes como governador mais oito - o PT, assim, ficaria à margem, sendo apenas um coadjuvante. "Não dá para pedir isso à gente", afirmou o senador.

Conflito. O ambiente de confronto entre PT e PMDB continua, apesar das negativas de Cabral e do presidente do PMDB fluminense, Jorge Picciani, de vinculação com a divulgação do dossiê. Petistas ligados a Lindbergh, porém, avaliam ter identificado o Palácio Guanabara como fonte dos documentos. Os dois lados assumiram postura mais cautelosa nos últimos dias, evitando declarações mais duras.

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