Lindbergh diz que plano de Levy fracassou e pede mudança na política econômica

Senador sugere que o Brasil tome 'coragem' e inspiração nos gregos e diz que o ajuste impôs ao País uma 'recessão mastodôntica'

Letícia Sorg, O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2015 | 13h25

SÃO PAULO - Depois de votar contra a orientação do partido em medidas do ajuste fiscal, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) diz em artigo que não "resta dúvida" de que o plano do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, está fracassando. "Está acontecendo entre nós exatamente uma repetição do que houve na Grécia, Espanha e Portugal", escreve o senador petista. "Essa política econômica neoliberal de Levy não é a nossa, nem Dilma foi eleita com essas propostas. Dizer que inexistem alternativas é falso, basta ler o debate econômico brasileiro e internacional e verificar que as alternativas existem, sim."

Para o senador, a solução para a crise do governo Dilma Rousseff, que está ameaçado de terminar antes de 2018, é angariar o apoio das bases sociais, o que só pode ser feito com uma mudança na política econômica.   

O petista sugere que o Brasil tome "coragem" e inspiração nos gregos e diz que o ajuste impôs ao País uma "recessão mastodôntica" e uma arrecadação decrescente, além de aumento do déficit nominal, do desemprego e diminuição da massa salarial. 

Para Lindbergh, a consequência da política de Levy "recai sobre os ombros dos trabalhadores e dos mais pobres, os que votaram em nosso governo, os que fizeram Dilma e Lula presidentes da República", e é a confiança dessa parcela da população que o governo deve lutar para reconquistar. "Isso só será possível se o governo entender a gravidade da crise, esquecer um pouco o Levy e seu samba de uma nota só do ajuste fiscal", escreve, defendendo uma política mais à esquerda por "emprego e renda dos trabalhadores, taxação das grandes fortunas, legalidade democrática, soberania nacional e direitos humanos frente a essa ofensiva conservadora".

Segundo o senador, o governo deve mudar a política econômica porque "não se atira contra a própria tropa, contra aqueles que podem sair às ruas em defesa da legalidade democrática." Ele faz um apelo para que Dilma "entenda" que os opositores querem sua cabeça e reapareça para governar com "o programa vencedor das eleições". "Este é um daqueles momentos de encruzilhada da história do Brasil em que somente o povo é capaz de nos livrar do golpe em curso", afirma.

Impeachment. Apesar de criticar a política econômica de Dilma, o senador mostrou indignação com o que chamou de "conspiração aberta" contra uma "presidenta eleita democraticamente pela maioria do povo brasileiro". No fim de semana, em convenção do PSDB, tucanos acenaram com a possibilidade de novas eleições antes de 2018. 

Para o petista, "golpe" é "como abrir uma caixa de Pandora", que se sabe como começa, mas nunca como termina. E alerta que o governo ainda não tem noção da "gravidade da conspiração" para derrubá-lo ainda este ano, alertando para a aliança entre PSDB e setores do PMDB. 

Lindbergh alega que não é preciso mudar o governo para melhorar a situação econômica e acusa os tucanos de cinismo. Segundo o petista, os opositores aplaudem as ações de Sérgio Moro em público, mas falam de abusos no processo nos bastidores e prometem um "governo forte", com ascendência sobre o Judiciário, se voltarem ao poder. 

O senador defende a mobilização das bases sociais para evitar um afastamento da presidente. "Temos que anunciar que, se optarem por esse caminho, estarão colocando o Brasil em um clima de radicalização e confronto que atenta contra nossa democracia", afirma. "Mas para isso precisamos da ajuda do governo. É preciso que governo pare de atacar a sua própria base!". 

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