Lindberg negocia chapa com o PDT

Prefeito petista de Nova Iguaçu é visto como adversário de Cabral

Luciana Nunes Leal, RIO, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

Principal adversário do governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, o prefeito de Nova Iguaçu (RJ), Lindberg Farias (PT), negocia com o PDT a formação de uma chapa majoritária no Estado, na tentativa de fortalecer sua candidatura ao governo. O PDT teria garantido um candidato ao Senado, em troca do apoio a Lindberg.

Embora o futuro político de Lindberg dependa da escolha da nova direção estadual do PT, o prefeito tenta desde já arregimentar aliados, para garantir a candidatura própria do partido, o que contraria a orientação do comando nacional petista e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favoráveis à aliança com Cabral no primeiro turno.

O PDT não descarta a possibilidade de apoio a Cabral, mas, como não faz parte do governo e tem posição independente no Estado, sabe que teria dificuldades de garantir a vaga ao Senado na chapa do governador.E o partido não está disposto a abrir mão dessa candidatura.

"Reivindicamos a chapa majoritária. Sem isso, o PDT não deverá apoiar ninguém. Vamos buscar uma terceira via ou candidatura própria", disse ontem o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente nacional licenciado da legenda. "O PDT precisa se fortalecer." O ministro defende a formalização do apoio do PDT à pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, e já conversou com o presidente Lula sobre as dificuldades da aliança dos petistas com o PMDB no Rio. "O presidente diz que vai se empenhar pela aliança com o governador Cabral, mas não critica o Lindberg", disse Lupi.

EXEMPLO

Cabral tem petistas em seu governo e apoio garantido de boa parte dos prefeitos e deputados do PT, mas Lindberg garante que não vai desistir do projeto de disputar o governo. O prefeito de Nova Iguaçu costuma citar o caso da Bahia, onde o PMDB deixou o governo do petista Jaques Wagner, que disputará a reeleição, e deverá lançar a candidatura do ministro peemedebista Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional.

Também em São Paulo, os pedetistas negociam o apoio a um candidato do PT ao governo, diz o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). Depois de uma tentativa frustrada de lançar candidato próprio e diante da tendência de o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) disputar a Presidência da República em vez do governo paulista, o PDT trabalha por uma chapa que reúna os partidos de esquerda em torno do deputado e ex-ministro Antonio Palocci (PT-SP). Como no Rio, os pedetistas pleiteiam uma das vagas ao Senado na chapa do PT paulista.

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