Lindberg admite entendimentos para votar com a bancada do PT

O deputado Lindberg Farias (PT-RJ) admitiu um entendimento com a direção do PT quanto ao fechamento de questão em torno da votação de matérias de interesse do governo. Ele admite que, uma vez fechada a questão, a bancada deve seguir a maioria. Ele apenas propõe que os parlamentares não precisem declarar, agora, que são favoráveis à respectiva proposta que está em discussão. "Mas, se votar contra o que a bancada decidir, (o parlamentar) saberá que estará tomando um caminho diferente", observou. Lindberg criticou a atitude do deputado João Fontes (PT-SE) de divulgar a gravação de um discurso feito em setembro de 1987, em Sergipe, pelo então deputado Luiz Inácio Lula da Silva, em que chamava o então presidente José Sarney de ladrão e condenava o aumento da idade mínima para aposentadoria. "Foi um erro político", disse. "Estamos a cinco dias da reunião da Comissão de Ética. Queremos acalmar os ânimos. O que coloca lenha na fogueira atrapalha. Foi um grande erro".ExpulsãoEm entrevista ao lado da senadora Heloísa Helena (PT-AL), Lindberg se disse constrangido pelo fato de que partiu dele o convite para que a senadora se reunisse com o presidente do PDT, Leonel Brizola, no mês passado. A reunião, após a qual Brizola fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está sendo usada como argumento pela Executiva do PT para expulsar a senadora. "Não posso deixar a senadora Heloísa Helena só neste momento", afirmou Lindberg. "Discordo de qualquer tipo de punição por delito de opinião. Me coloco junto com ela. A sanção que impuserem a ela é meu dever assumir. Se a expulsarem, também estou fora". O deputado observou que, para ele, este é um momento muito difícil, pois esse gesto poderá ter conseqüências graves para seu futuro na política. "Não quero sair do PT", afirmou, manifestando sua esperança de que sua solidariedade com Heloísa Helena não seja entendido pela direção do partido com o um gesto de provocação, mas sim de busca de um entendimento. Heloísa Helena, por seu turno, disse que ficava feliz "com a generosidade, coragem e maturidade política" do deputado. "Fico feliz, mas ele sabe que não tem nenhuma obrigação por ter estado comigo na reunião (com Brizola)", observou ela.

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