Liminares impedem CEF de assumir controle de loterias, diz Mattoso

O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, informou à Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, que a instituição é refém de uma série liminares e ações judiciais, que a impedem de assumir o controle operacional das loterias. Essas ações, concedidas em sua maior parte pela juíza da 17ª Vara Federal, Maisa Giudice, favorecem a multinacional Gtech, que recebe comissões de cerca de R$ 1 milhão por dia para operar as loterias. Segundo Mattoso há mais de quatro anos a Caixa luta para se livrar desse engessamento, mas que é sempre impedida pela Justiça. O presidente da CEF está prestando esclarecimentos à Comissão como convidado.Mattoso disse que a Caixa "sempre foi absolutamente ética" nas relações com a GTech. Ele afirmou que nunca recebeu o ex-assessor da Presidência da República, Waldomiro Diniz, muito menos o bicheiro Carlinhos Cachoeira ou o consultor Rogério Buratti, ex-secretário de governo da prefeitura de Ribeirão Preto (SP), na gestão do atual ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "Nunca estive, não conheço e jamais me foi apresentado qualquer assunto de interesse desses senhores", afirmou Mattoso.Ele disse que as negociações com a GTech sempre foram conduzidas por pessoal indicado pelas diretorias da Caixa e da empresa, sem nenhum intermediário. "Desconheço qualquer pressão sofrida pelos negociadores", disse Mattoso, respondendo a uma pergunta do presidente da Comissão, senador Ney Suassuna (PMDB-PB). Em resposta a uma pergunta da líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), o presidente da Caixa disse que a razão de não terem sido encaminhados dois, dentre vários documentos requeridos à Caixa pelo senador Demóstenes Torres (PFL-GO) é que esses documentos "não tinham qualquer relevância", mas que todos os demais foram encaminhados. Ele esclareceu que um desses documentos é a proposta da Caixa, de renovação do contrato com a GTech com desconto de 25%, que não foi aceito pela empresa, e o outro, a resposta da GTech não aceitando a proposta da diretoria da Caixa. Segundo Mattoso, o documento que importa é o contrato, aditado em 8 de abril de 2003, o único de responsabilidade da atual administração, na qual o contrato foi prorrogado pelo prazo de 25 meses e também no qual a Caixa obteve um desconto de 15%, ficando livre para dar prosseguimento à ampliação dos serviços bancários fora da rede de loterias, o que, de acordo com Mattoso, até então o contrato impedia.

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