Liminar proíbe greve de policiais no ES

Uma liminar obtida pelo governo do Estado do Espírito Santo proibiu a greve dos policiais civis, marcada para a segunda-feira. Caso a decisão seja descumprida, o Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol) terá de pagar multa de R$ 10 mil por dia de paralisação. Um dos diretores do sindicato, Silas Cândido dos Santos, afirmou que o corpo jurídico da entidade está mobilizado para garantir à categoria o direito de greve. Se a proibição for mantida, não haverá paralisação. "A princípio vamos acatar (a liminar). Somos cumpridores da lei, coisa que o governo não é", disse. O sindicalista, porém, afirmava não ter recebido qualquer notificação judicial.Mais tarde, o presidente da Associação de Investigadores da Polícia Civil, Júnior Fialho, afirmou que a greve não seria suspensa, mas adiada para a terça-feira, porque o edital para informar a população só ficou pronto hoje e a legislação exige prazo de dois dias para o início da paralisação. Há sete anos sem aumento, os policiais civis reivindicam reajuste de pelo menos 38%, semelhante ao concedido à Polícia Militar no fim do ano passado. De acordo com Santos, as negociações com o governo duraram dois meses e foram interrompidas pela "intransigência" do secretário de Estado de Segurança Pública, coronel Edson Ribeiro Carmo. Os sindicalistas pedem a demissão do coronel.Na secretaria, a ordem era de silêncio absoluto sobre o assunto, como explicou a chefe de gabinete, Jaíra Muniz. "Ele (Carmo) só vai falar na semana que vem". Ontem, jornais locais publicaram declarações do coronel. "Se eles pararem, terão os salários cortados", disse Carmo, que considera o movimento um ato de "indisciplina". Para o secretário, os salários pagos aos policiais capixabas estão entre os melhores do Brasil. O Sindipol informou que o menor salário pago à categoria é de R$ 1.200,00."Nos admira muito um coronel da PM desconhecer a Constituição. Ele tratou os sindicalistas como soldados da PM. Não somos militares, estamos exercendo o direito de manifestar nossa insatisfação", disse Santos. Ele afirmou ainda que o secretário abriu dois processos, um administrativo e o outro penal, contra sindicalistas que participaram de protestos em frente à sede do governo e reclamou de parcialidade por parte do juiz da 1ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual Eraldo Gomes de Azevedo, que concedeu a liminar. O Espírito Santo tem 2,7 mil policiais civis na ativa.

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