Ligado a grupo de inteligência, empresário diz que deu 'ajuda' à pré-campanha de Dilma

Empresas de Benedito Rodrigues de Oliveira Neto faturaram mais de R$ 214 milhões em contratos com o governo

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo,

03 de novembro de 2010 | 18h35

BRASÍLIA - O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, conhecido como Bené, confirmou à Polícia Federal, na última sexta-feira, 29, que deu no primeiro semestre uma "ajuda" à casa onde funcionou a coordenação de comunicação da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT), dirigida pelo jornalista Luiz Lanzetta. Benedito contou que frequentava a casa, no Lago Sul, duas vezes por semana. O local, segundo ele, também era frequentado por petistas. Lanzetta deixou a campanha em junho após vir à tona o escândalo da quebra do sigilo fiscal dos tucanos.

 

O empresário Benedito de Oliveira é sócio de empresas que têm contratos com o governo federal, entre elas Dialog Eventos e Gráfica Brasil. Juntas, faturaram mais de R$ 214 milhões desde 2004. As empresas são alvos de investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) por suspeitas de irregularidades em licitação e prestação de serviços.

 

Benedito bancou os custos de uma casa no Lago Sul da pré-campanha de Dilma. "Era apenas uma ajuda na questão administrativa para a empresa de Lanzetta", afirmou, em depoimento prestado na sexta-feira sobre a violação do sigilo fiscal de tucanos. "Que por conta dessa ajuda frequentava a casa onde estaria instalada a empresa de Lanzetta e que a imprensa chamava de comitê de campanha", afirmou. Ele disse que, embora não fosse um comitê oficial, era "comum a presença de membros do partido do PT na referida casa".

No local, funcionou o bunker de comunicação então comandado por Lanzetta. O empresário e o jornalista participaram do encontro em Brasília no restaurante Fritz, em abril deste ano, com o jornalista Amaury Ribeiro Jr. e mais duas pessoas. Naquele dia, teriam discutido o dossiê que Amaury preparou contra pessoas ligadas a José Serra (PSDB), então candidato a presidente contra Dilma Rousseff. O jornalista foi indiciado pela PF por ter encomendado e financiado a violação do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha e do genro de Serra e outros tucanos.

 

Foi o segundo depoimento prestado por Benedito. Na sexta, ele disse à PF que "quando efetivamente Lanzetta foi escalado como coordenador da campanha, isso por volta do início do ano de 2010, Lanzetta pediu ajuda ao declarante para ajudar na expansão de sua empresa". O empresário, porém, disse que nunca participou de reuniões de "cunho político". Ele contou que, no encontro no restaurante Frtiz, não ouviu qualquer coisa sobre um dossiê contra Serra. Disse que foi ao local apenas como convidado de Lanzetta. Indagado sobre as relações com o governo, Benedito afirmou que considera "normal" os contratos, já que seu grupo de empresas tem mais de 40 anos de atuação.

 

Estado de Minas. Além de Benedito, a Polícia Federal ouviu nesta quarta-feira o diretor do Estado de Minas, Josemar Gimenez. É que Amaury Ribeiro Jr. era funcionário do jornal na época em que encomendou os sigilos fiscais dos tucanos, entre setembro e outubro do ano passado. Josemar afirmou que jamais pediu qualquer investigação nesse sentido ao repórter, inclusive em relação a Aécio Neves. E entregou à PF documentos comprovando que Amaury estava em férias no período da violação dos sigilos. Os papéis mostram ainda que o jornalista foi desligado da empresa no dia 15 de outubro do ano passado.

 

Segundo Gimenez, a última viagem a trabalho paga pelo jornal ocorreu no dia 23 de julho, portanto, meses antes da violação dos sigilos fiscais. Ele disse aos policiais que o jornal mantém uma relação "institucional" com Aécio. O nome do ex-governador surgiu na investigação da PF depois que Amaury contou à PF que decidiu investigar Serra ao saber que pessoas ligadas ao tucano estavam investigando Aécio. Gimenez disse que nunca pediu para o repórter apurar tal fato.

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