Líderes terão de informar sobre cargos de confiança, diz Aldo

A Mesa da Câmara dos Deputados se reunirá nesta terça-feira, 12, para discutir o projeto com novos critérios para a ocupação dos cargos de natureza especial (CNE). O presidente da Casa, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), autor do projeto, afirmou que será necessária a aprovação de um ato, na reunião, para obrigar os líderes partidários a informarem onde os servidores em caráter de CNE trabalham.Entre as propostas de mudança, o projeto estabelece que parentes de deputados não podem ser funcionários de confiança e que estes não podem trabalhar em gabinetes de parlamentares nem em outros locais fora das dependências da Câmara.Há cerca de duas semanas, depois da denúncia de que há servidores de confiança da Câmara que não estariam trabalhando na Casa, Rebelo havia anunciado que divulgaria a lista dos locais de trabalho dos funcionários que têm CNE.Os cargos de confiança devem ser ocupados na administração da Câmara, nas Lideranças partidárias e nas comissões. Os servidores especiais devem prestar serviços a órgãos coletivos e não nos gabinetes individuais de deputados, pois esses já possuem verba de gabinete para contratação de pessoal. Aldo Rebelo disse que seu projeto pretende, também, reduzir o número de cargos de natureza especial.A Câmara tem 2.080 servidores que ocupam cargos de natureza especial e ganham salários que variam de R$ 1.500 a R$ 8.200. Eles custam à Câmara R$ 9 milhões por mês.A Reunião da Mesa estava marcada inicialmente para a semana passada, mas acabou sendo adiada para esta Terça.Crítica à carta de FHCNesta segunda-feira, 11, Aldo Rebelo também criticou a carta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, divulgada na quinta-feira, afirmando que o texto não é uma contribuição que o ex-presidente poderia dar ao País. "Parece que o sociólogo, tão arguto, tão capaz de compreender o Brasil, perde espaço para a política, não vê que o País precisa da disputa, mas também do diálogo", afirmou Rebelo. Na carta, Fernando Henrique critica o PSDB, seu partido, e o PT.Ele disse que as análises "erradas" feitas por Fernando Henrique sobre as eleições no Brasil diminuem o "papel relevante" do ex-presidente, "não apenas como líder da oposição, mas, também, como figura representativa do País."O presidente da Câmara defendeu a necessidade de que as eleições sejam feitas em um ambiente civilizado e democrático. Ele disse que, na fase final da campanha eleitoral, a luta partidária não deve extrapolar os limites da convivência civilizada. "Não devemos substituir a crítica, a militância, pelo desespero. Creio que o presidente Fernando Henrique tem uma larga folha de serviços prestados ao País", afirmou Rebelo.

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