Líderes têm de ter coragem no mundo contemporâneo, diz FHC

Em discurso no Palácio do Itamaraty, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que, com as incertezas do mundo contemporâneo, os líderes políticos têm de ter coragem para enfrentar questões importantes. "Além das incertezas nas questões financeiras, de que não vou falar aqui, é preciso discutir a questão do protecionismo, a diferença de acesso a mercados, medidas sem as quais não poderemos mudar a distribuição de riquezas no mundo", afirmou, em reunião da Comissão Interministerial para a Preparação da Participação do Brasil na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. Sobre este evento, a Conferência Rio +10, que será realizada no fim do mês e início de setembro em Joannesburgo, na África do Sul, ele disse que não quer reabrir discussões que já foram travadas na Rio-92, também na Conferência de Monterrey e em Doha. "Não vamos abrir questões superadas", disse. "Vamos chegar a Joanesburgo com o moral alto, porque houve aumento da consciência, foram instalados projetos de desenvolvimento sustentável e criamos mecanismos que vão nessa direção", afirmou. Ele citou algumas das medidas implementadas no País a que se referia, tais como a Lei de Crimes Ambientais, o Código Florestal e a criação da Agência Nacional de Águas (Ana). "Temos consciência de que não é só retórica, que isso foi traduzido em atos", afirmou. "Não são palavras, são fatos e atos". Ele lembrou, também, que houve redução de 13% nas taxas de desmatamento na Amazônia, apesar dos prognósticos pessimistas. "Isso não quer dizer que vamos nos acomodar, vamos desconsiderar. Mas vamos continuar trabalhando com objetivo da preservação". Segundo ele, o governo trabalha também no sentido de que 10% da matriz energética do País seja obtida de energia alternativa renovável. AmazôniaFernando Henrique assegurou a uma representante de uma organização não-governamental (ONG) que o governo não dará seu apoio, no Congresso, à redução da área de preservação ambiental na Amazônia Legal, de atualmente 80% para 30%. Ao deixar o Itamaraty, Fernando Henrique foi questionado se o governo apoiaria uma proposta de emenda constitucional (PEC) de autoria do senador Mozarildo Cavalcante (PFL-RR), prevendo a redução da área de preservação ambiental. O presidente disse que ela não se preocupasse porque, para aprovação de uma PEC, são necessários pelo menos 308 votos, e que o governo não vai apoiar a proposta. Segundo ele, sem o apoio do governo, "nada é aprovado no Congresso, a não ser quando se trata de ampliar os poderes do próprio Congresso".

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