Líderes rurais esperam mesmo tratamento dado a FHC

Líderes de produtores rurais têm a expectativa de que a atitude do governo federal frente a futuras invasões de terra produtivas possam ter o mesmo tipo da ação realizada no domingo pela Polícia Federal e do Exército na desocupação da fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG), de propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso."Aplaudo o governo. Espero que com esse ato do MST o governo mude de atitude daqui para frente", afirmou o presidente da Sociedade Rural Brasileira, João de Almeida Sampaio Filho, que considerou um "acinte" a invasão da fazenda freqüentada pelo presidente. "Infelizmente o presidente sentiu agora o que nós já passamos."Sampaio Filho disse que o governo tem sido muito paciente e é preciso ser mais enérgico com as "ilegalidades" cometidas pelo MST durante as invasões de terras. Para ele os sem-terra perderam o "foco" de suas reinvindicações. "Temos esperança de que o governo tenha com qualquer produtor a mesma atitude que teve com o produtor Fernando Henrique."O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, considerou que o governo cometeu um "exagero" ao utilizar o Exército na operação realizada na fazenda da família do presidente. Para ele, nem toda desocupação de invasões de terra conta com esse esquema. "É impossível aceitar esse tipo de ação, já que é diferente com outros produtores", disse.Garcia cita o artigo 5º da Constituição, que diz que "todos são iguais perante a lei" para defender os direitos dos associados perante a ameaça da invasão de terras. "O mesmo direito que a família do presidente têm, os outros cidadãos, como qualquer produtor rural, também devem ter", protesta.Garcia afirmou que o MST "quer sangue" ao comentar a ação no Pontal do Paranapanema logo depois da invasão em Buritis. Segundo O presidente da UDR, a fazenda Santa Maria é produtiva, e essa invasão ocorreu simplesmente para chamar a atenção."Essa invasão mostra a audácia e o vandalismo dessa gente do MST, além da falta de autoridade. Estão procurando um mártir, um herói, para então o PT entrar em cena como defensor dos oprimidos."

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