Líderes governistas tentam apaziguar aliados

Ultrapassada a votação do salário mínimo, a base governista tentará agora restabelecer a convivência entre seus senadores e deputados, que azedou nas últimas votações dos projetos de interesse do governo. Na Câmara, aliados reclamam que têm ficado com o ônus de atender às pressões do Palácio do Planalto e se desgastarem perante a opinião pública, enquanto os senadores governistas acabam mudando os projetos aprovados, faturando politicamente as mudanças, como foi o caso do aumento do mínimo para R$ 275, afinal rejeitado pelos deputados. "Eu nunca vi tanta crítica nos nove anos que tenho de mandato e acho que os deputados não estão entendendo o caráter revisor do Senado", reclama o ex-presidente da Casa, Ramez Tebet (PMDB-MS).Os líderes do Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), da Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP), e do Congresso, Fernando Bezerra (PTB-RN), defendem uma discussão coordenada de deputados e senadores dos projetos mais polêmicos. O primeiro exemplo dessa disposição é a votação da medida provisória 183, que trata da Cofins incidente sobre produtos agrícolas, que tranca a pauta do plenário da Câmara.Para negociar com a bancada ruralista, forte nas duas casas, o vice-líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) já foi chamado para participar das negociações. "Dessa forma, o texto já estará mais alinhavado com o Senado quando lá chegar", afirma o Professor Luizinho.NegociaçãoOs líderes Mercadante, do Senado, e Professor Luzinho, da Câmara, consideram fundamental a forte atuação do Palácio do Planalto para assegurar coerência nas negociações e nos acordos fechados. E precisarão contar com a participação de partidos importantes na bancada das duas casas, como é o caso do PMDB.O líder da bancada na Câmara, José Borba (PR), tem a fórmula: "Precisamos avaliar quais os limites para serem alcançados em cada projeto para os senadores não ficarem como bonzinhos e nós como patinhos feios", salientou. "É preciso que os projetos sejam discutidos em conjunto pelo Palácio do Planalto."Professor Luizinho ressalva que o Senado vive uma dificuldade maior com sua base, e, por isso, os líderes são obrigados a ampliar a negociação. Mercadante já anunciou o interesse de fortalecer a base do governo no Senado. Entre oposicionistas do PFL e PSDB, dissidentes do PMDB e do próprio bloco governista, o governo já começa a negociar com mais de 41 senadores do outro lado do campo político. Numa Casa com 81 integrantes, cada negociação se transforma numa pedreira, obrigando o governo a mudar os projetos já aprovados na Câmara.A prioridade, afirma Mercadante, é trabalhar para uma ação unificada do PMDB em relação ao governo. "Tem de ter um acordo interno", afirma. O senador Ney Suassuna (PMDB-PB), no entanto, acha que é preciso avançar mais. "O Senado tem-se ressentido porque os principais personagens do governo são da Câmara", afirma, referindo-se ao ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, ao coordenador político do Palácio, ministro Aldo Rebelo e aos seis ministros, todos deputados. "Só dois ministros são senadores", reclama, citando a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, e Amir Lando, da Previdência. "O governo não tem força no Senado porque não quer e para isso é preciso trabalhar com cada um dos senadores, tratando aliado de forma diferente dos adversários", reclama Suassuna.

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