Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Líderes garantiram não analisar propostas que aumentem despesas, diz Temer

Em seu primeiro movimento à frente da articulação política do governo, vice levantou apoio de parlamentares pelo 'o esforço pelo equilíbrio e estabilidade fiscal'

Erich Decat e Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

08 Abril 2015 | 15h52

BRASÍLIA - Alçado para ocupar a articulação política do governo, o vice-presidente Michel Temer (PMDB), minimizou nesta quarta-feira, 8, possíveis desgastes na relação entre o PMDB e o PT ocorridos neste início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Temer conduziu no início da tarde desta quarta a primeira reunião com líderes da base aliada do governo, após ser escolhido como novo articulador do Planalto. No encontro com os líderes desta quarta foi assinado um documento no qual os parlamentares afirmam apoiar "o esforço pelo equilíbrio e estabilidade fiscal".


Em uma articulação complicada conduzida por Dilma, Temer passou a acumular desde ontem a vice-presidência e a articulação política do Planalto junto ao Congresso. A primeira missão de Temer no Parlamento será a de tentar garantir que seja aprovado o pacote com ajustes fiscal enviado pelo Executivo.



"Em primeiro lugar, vieram todos os lideres e presidentes de partidos. Ontem havíamos pré-ajustado que eu traria um documento para que eles assinassem no sentido de que as medidas do ajuste fiscal e econômico, patrocinadas pelo governo, seriam naturalmente examinadas pelo Congresso Nacional, eventualmente ajustadas pelo Congresso Nacional. Portanto, nada que importe despesa ou redução das receitas seriam neste momento examinadas", considerou Temer, sobre o resultado da reunião de hoje.


O vice-presidente minimizou também a possibilidade de o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, se afastar da relação com o Congresso. Essa é uma das demandas de setores do PT ligados ao ex-presidente Lula e de integrantes da base aliada. "É claro que cada um terá as suas tarefas. Eu, por exemplo, não interferirei nas questões administrativas. Farei a articulação de natureza política. Mas o governo é uma unidade, todos colaboram entre si, inclusive o Mercadante", ressaltou o vice-presidente.


"Não é exatamente porque eu assumi(que as arestas entre os dois partidos vão acabar). Acho que a tendência natural é exatamente essa. Estamos há três meses do governo, houve muitas conversações. O diálogo continua muito sólido. Tenho enfatizado que o Executivo só pode governar se tiver apoio do Congresso Nacional. Apoio no sentido político, mas também no sentido Legislativo. E eles (os líderes da base aliada) estão de acordo com isso. Não é o PT e o PMDB que estão em pauta. O que está em pauta é a base aliada, que tem de estar reunificada em torno dos projetos do governo e auxiliando nos projetos do governo", ressaltou Temer.


A junção da vice-presidência com a SRI deixa ainda pendente a situação do ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que perdeu no ano passado a disputa pelo governo do Rio Grande do Norte e não tem mandato eletivo. Ele insiste em ir para o ministério do Turismo que, por sua vez, está ocupado por Vinicius Lages, apadrinhado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O senador tem dito para integrantes da legenda que não vê problemas em Henrique Alves ocupar o Turismo e que a resistência ao nome do ex-deputado para ocupar um cargo na Esplanada está em Dilma e não nele. 


Segundo Temer, Henrique Alves "seguramente" irá integrar o governo. O ex-deputado também participou da reunião de líderes e protagonizou uma cena inusitada ao deixar o local sob chuva. "Quem está na chuva aqui sou eu", brincou ele ao posar para os fotógrafos que acompanhavam o encontro.

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