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Líderes evangélicos criticam pastor por intermediar repasse de emendas

José Wellington Bezerra da Costa, da Assembleia de Deus no Brasil, afirmou que recurso só chega ao prefeito com aval da igreja

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2022 | 19h46
Atualizado 10 de fevereiro de 2022 | 23h38

BRASÍLIA - A declaração do pastor José Wellington Bezerra da Costa sobre suas intervenções em repasses de emendas a parlamentares causou desconforto entre líderes evangélicos e provocou críticas. Como o Estadão/Broadcast revelou, José Wellington – um dos líderes mais influentes da Assembleia de Deus no Brasiladmitiu que a igreja tem feito a intermediação do pagamento de emendas para eleger três de seus filhos em São Paulo. “A emenda só vai para o prefeito por intermédio do pedido do pastor da Assembleia de Deus”, afirmou ele, durante reunião de obreiros, na segunda-feira, em São Paulo.

Os filhos do pastor – o deputado federal Paulo Freire Costa (PL-SP), a deputada estadual Marta Costa (PSD) e a vereadora Rute Costa (PSDB) – tiveram acesso a R$ 25 milhões em recursos públicos, no ano passado.

Para o reverendo Valdinei Ferreira, líder da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, o episódio expõe uma distorção na relação entre igrejas e políticos. “É mais um sinal de apodrecimento das relações entre religião e política. As igrejas devem cobrar políticas públicas e podem ser parceiras do poder público na execução de determinadas ações, mas não entrar na lógica de um despachante”, disse Ferreira. Para ele, a intermediação de emendas abre margem para corrupção e enriquecimento de líderes religiosos. “Certamente, a igreja ganha o poder, mas perde a credibilidade.”

‘Foco’

Nas redes sociais, o pastor Carlito Paes – da Igreja da Cidade, de São José dos Campos (SP) – também criticou o comportamento do religioso. “Pastores e igrejas, acordem, ainda temos tempo de ajustar o foco para o real Evangelho e para igreja, temos tantas oportunidades!”, escreveu Paes, que votou em Jair Bolsonaro, em 2018, mas hoje não apoia mais o presidente.

 

A participação de um pastor na escolha do destino das emendas parlamentares não é vista como crime, segundo procuradores ouvidos pela reportagem. O caso de José Wellington, porém, pode ter consequências graves se uma investigação constatar desvio de recursos públicos. 

O líder da bancada evangélica no Congresso, deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), defendeu a prerrogativa de religiosos atenderem suas bases. “Meu pastor nunca me indicou um único município ou instituição para que fosse enviado um real de emenda. Mas isso é uma decisão do parlamentar, de seus líderes e suas bases”, disse ele, que é ligado à Assembleia de Deus Vitória em Cristo, liderada por Silas Malafaia.

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