Ed Ferreira|Estadão
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Líderes do PSDB afirmam que pedido de prisão de Lula não tem fundamento

Cássio Cunha Lima e Carlos Sampaio criticamsolicitação do Ministério Público; já Silvio Torres dá apoio ao MP e diz que a Justiça decidirá

O Estado de S.Paulo

11 de março de 2016 | 08h05

Brasília - Nomes importantes da oposição no Congresso se posicionaram ontem contra o pedido de prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Ministério Público de São Paulo. Nos bastidores, oposicionistas concordam que a medida poderia atrapalhar processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na opinião pública.

Na noite de ontem, o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), disse não ver embasamento jurídico na decisão. “Aparentemente, não se encontram os fundamentos que possam justificar ou embasar o pedido. Até porque, recentemente, o Ministério Público, com a Polícia Federal, realizou um conjunto de buscas e apreensões”, afirmou o senador de oposição, que é advogado.

Segundo o tucano, o País não vive um momento comum, o que exige prudência. “Em momento de turbulência, não é recomendável movimentos bruscos. É preciso serenidade de todas as instituições que têm responsabilidade com o País.”

‘Vítima de si mesmo’. Nem todos no PSDB, no entanto, pensam da mesma maneira. “Lula é vítima de si mesmo. Ele tenta desmoralizar os que o investigam. Não devemos ser nós a questionar o MP”, afirmou o deputado Silvio Torres, secretário-geral do PSDB. “Não cabe a nós, do PSDB, questionar o MP. Se houve erro, a Justiça vai decidir”, disse.

A posição defendida pelo vice-presidente nacional do PSDB, Carlos Sampaio (SP), é diferente. Ele, que é o coordenador jurídico do partido, disse que o pedido “foge à normalidade”. “Não é uma conduta usual fazer denúncia e pedir prisão do investigado. Não é porque temos divergências políticas que vou querer para ele algo diferente do que quero para qualquer cidadão”, disse Sampaio, que é promotor público de carreira.

O presidente do DEM, senador José Agripino (RN), pediu moderação e equilíbrio das instituições neste momento. Já o líder do partido no Senado, Ronaldo Caiado (GO), afirmou que não se manifestaria antes que a Justiça decida se vai acatar o pedido da Promotoria.

O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), acredita que há evidências contra o ex-presidente Lula. “Se o MP está pedindo, é porque tem razões para isso”, afirmou o parlamentar.

‘Fogo’. Na avaliação do líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), os protestos pró-impeachment no domingo serão reforçados após o pedido de prisão. O líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA), afirmou que o pedido é uma provocação.

“Esse mesmo promotor (Cássio Conserino) já anunciava antecipadamente este processo de perseguição política na nossa liderança maior. Este promotor quer tocar fogo na Nação e no País e nós não vamos cair nisso.” / ISABELA BONFIM, IGOR GADELHA e P.V.

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